Título: Tucanos apresentam preço do apoio
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Fonte: Jornal do Brasil, 29/01/2009, País, p. A7
Dono de votos decisivos, PSDB impõe condições para embarcar em candidaturas no Senado
BRASÍLIA
O PSDB decidiu impor 12 condições para definir o candidato que terá o apoio da legenda nas eleições para a presidência do Senado, na próxima segunda-feira. A bancada dos tucanos pretendia definir ainda na noite de ontem se aderia à candidatura de José Sarney (PMDB-AP) ou Tião Viana (PT-AC). A disposição dos tucanos era de migrar para aquele que atender integralmente os pedidos da legenda.
O apoio a Sarney não foi oficializado até a noite de ontem porque os tucanos não tiveram garantias de que terão suas exigências atendidas. Existe uma preferência por Sarney, mas ainda não fechamos comentou Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB. Se não tiverem o apoio de Sarney nem de Tião, os tucanos prometem votar nulo na disputa pelo comando da Casa. Queremos um compromisso de honra com esses 12 pontos disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Se algum dos dois candidatos se acha forte para minimizar o que pedimos, é só me dizer. Em troca do apoio, os tucanos cobram, entre outros itens, a 1ª vice-presidência do Senado, a 4ª secretaria da Mesa Diretora e a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos que ficaria sob o comando do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
A comissão também terá que priorizar a discussão da reforma tributária, com a relatoria da matéria nas mãos do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). A ideia dos tucanos é indicar para a 1ª vice-presidência o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para a 4ª secretaria. O PSDB também cobra a independência e a soberania do Congresso, o respeito às oposições, o compromisso do candidato de que vai manifestar-se contra a proposta de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da rejeição de medidas provisórias que não atendam aos critérios de urgência e relevância.
Os tucanos querem conquistar o apoio dos peemedebistas desde já, de olho na corrida pela presidência da República em 2010. Além disso, a bancada da legenda no Senado avalia que possui fortes divergências com o PT em nível nacional, o que dificulta o apoio a Tião.
Candidatura
O senador José Sarney (PMDB-AP), por sua vez, oficializou ontem sua candidatura à presidência do Senado. Sarney não quis adiantar suas estratégias de campanha, porque disse que só agora vai começar a buscar votos embora nos bastidores já tenha contabilizado o apoio da maioria dos parlamentares, inclusive senadores do DEM e partidos da base do governo.
A reunião que selou a candidatura de Sarney não contou com as presenças dos senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), contrários ao nome do peemedebista. Jarbas declarou apoio a Tião, enquanto Simon disse que não concorda com a decisão tardia de Sarney de ingressar na disputa. Já Tião decidiu manter sua candidatura à presidência do Senado mesmo depois de ser pressionado por aliados para deixar a disputa uma vez que perdeu apoio de partidos da base governista que haviam declarado voto em seu nome.
Em nota, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), classificou de "jogo de bastidores para desestabilizar o apoio" a Tião as informações de que o petista estaria sendo pressionado para deixar a disputa. Na nota, Ideli afirma que repudia a troca de votos por cargos na Mesa Diretora do Senado.
"A discussão sobre cargos não é compartilhada pela bancada petista, na medida em que, tanto o Regimento Interno quanto a tradição da Casa asseguram a devida proporcionalidade na sua distribuição", comentou a líder petista. O tom do documento sinaliza que o PT vai rejeitar as condições do PSDB para apoiar Tião. (Folhapress)