O Estado de São Paulo, n. 46457, 27/12/2020. Metropole, p. A12

 

REMÉDIO É TESTADO PARA PREVENIR COVID

Fabiana Cambricoli

27/12/2020

 

 

Cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos estão na última fase dos testes de um medicamento que pode dar imunidade instantânea contra o coronavírus, evitando, assim, que uma pessoa que tenha tido contato recente com alguém infectado desenvolva a doença.

A droga, criada pela farmacêutica britânica AstraZeneca e chamada de AZD7442, é uma combinação de dois anticorpos monoclonais, feitos em laboratório com base em anticorpos de pessoas que se recuperaram da infecção por covid-19.

A ideia é avaliar a ação da droga em pessoas que tenham tido exposição recente ao vírus, mas que ainda não desenvolveram os sintomas. O remédio impediria a doença de se manifestar ao combater a ação viral logo no início, agindo como uma profilaxia pós-exposição. Outro protocolo de pesquisa da farmacêutica tem como objetivo testar a droga em pessoas que ainda não tenham tido contato com o vírus SARS-CoV-2, para que sua ação preventiva também seja investigada.

Nos dois casos, o medicamento tem como alvo a proteína spike do vírus, responsável por sua entrada na célula humana.

"A proteína spike do SARSCoV-2 contém o RBD (domínio receptor-obrigatório) do vírus, que permite que o vírus se ligue a receptores nas células humanas. Ao alvejar esta região da proteína spike do vírus, os anticorpos podem bloquear a ligação do vírus às células humanas e, portanto, espera-se que bloqueiem a infecção", explica a farmacêutica nos protocolos das estudos registrados no site clinicaltrials.gov, plataforma de pesquisas clínicas do governo americano.

O remédio está na fase 3 de testes clínicos (a última antes do registro do remédio), mas etapas anteriores da pesquisa demonstraram que essa imunidade conferida pela droga não seria permanente – duraria de seis a 12 meses, de acordo com a AstraZeneca.

Ainda de acordo com os protocolos de pesquisa, a fase 3 dos testes foi iniciada em novembro (para os casos de pessoas sem exposição prévia) e dezembro (nos pacientes que foram expostos ao patógeno). Juntos, os dois estudos envolverão cerca de 6 mil voluntários.

Próximos passos. Caso tenha sua eficácia comprovada, o medicamento seria especialmente útil em situações como a de idosos moradores de instituições de longa permanência que tiveram contato com algum caso positivo no espaço. Eles poderiam receber a droga antes que o vírus começasse a causar estrago.

De acordo com reportagem do jornal britânico The Guardian, os anticorpos em testes estão sendo administrados em duas doses e poderiam ser usados até oito dias depois da exposição ao vírus.

Cientistas do Reino Unido afirmaram ao jornal que acreditam que a droga possa estar disponível no mercado entre março e abril de 2021, caso tenha sua eficácia e segurança demonstradas nos testes clínicos.

De acordo com a AstraZeneca, o governo americano investiu cerca de US$ 486 milhões no desenvolvimento da droga, por meio de um acordo que dá aos Estados Unidos a possibilidade de compra de 100 mil doses iniciais e um adicional de até 1 milhão de unidades do medicamento ao longo de 2021.  

Explicação

"Os anticorpos podem bloquear a ligação do vírus às células humanas e, portanto, espera-se que bloqueiem a infecção."

AstraZeneca

NOS PROTOCOLOS DO AZD7442,