Título: Cresce o medo do protecionismo
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/01/2009, Economia, p. A20
Queda de 22,6% no tráfego aéreo desper ta discussão no Fórum Econômico Mundial
Legisladores presentes no Fó- rum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, alertaram para o crescimento ameaçador do protecionismo depois que foram divulgados dados sobre a queda de transporte aéreo, sinal de redução no comércio internacional. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, em inglês) informou que o tráfego aéreo de cargas caiu 22,6% em dezembro, na comparado com o mesmo mês de 2007. A Iata diz que a queda não tem precedentes. O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, disse no Fórum que a crise econômica mundial pode impulsionar o protecionismo para salvaguardar as indústrias nacionais e empregos. Segundo Nath, a Índia pode responder com medidas próprias se seus exportadores se sentirem ameaçados.
Nós tememos o fato porque é necessário reconhecer que no coração da globalização está a competitividade global e, se os governos vão proteger a produção não competitiva, não haverá comércio justo afirmou Kamal Nath. Se houver medidas protecionistas, a Índia se verá obrigada a tomar contrapartidas, o que não será bom para ninguém. Nath citou a decisão da Holanda de não permitir, na semana passada, a entrada de um carregamento do Brasil de medicamentos genéricos fabricados na Índia. Segundo o ministro, o país já discute a questão com autoridades holandesas e a União Européia, e espera resolvê-la.
No entanto, a Índia também já levantou tarifas para proteger a produção local de aço, que afetou a China, segundo especialistas. O premier chinês Wen Jiabao alertou, em seu discurso de abertura no Fórum, na quarta-feira, que o protecionismo só servirá para aprofundar e prolongar a crise. Pascal Lamy, diretor-geral do Organização Mundial do Comércio (OMC), disse que já é esperado que a crise gere pressões protecionistas. Todos sabemos, pela experiência, que erguer obstáculos ao comércio fará as coisas piorarem. E que a primeira coisa que temos que fazer é não atirarmos no nosso próprio pé afirmou Lamy. Está claro que há um risco e temos que ser vigilantes.
UE atenta ao pacote de Obama
A Comissão Europeia (CE, ór- gão executivo da União Europeia) advertiu ontem os Estados Unidos que agirá se o país adotar medidas que impeçam exportações européias ao mercado americano. Caso seja aprovada uma lei que proíbe a venda de produtos europeus em território americano, não vamos ignorá-la comentou o porta-voz de Comércio na CE, Peter Power. Power respondeu a uma pergunta sobre a cláusula Buy American, parte do plano de US$ 819 bilhões aprovado pela Câmara de Representantes dos EUA.
O porta-voz disse que seus comentários eram gerais, já que o plano ainda não foram aprovados no Senado, e o texto final da medida não está pronto. O artigo em questão, perdido em um projeto de lei de cerca de 650 páginas, proibiria em grande parte a compra de ferro e aço estrangeiros para os projetos de infraestrutura financiados pelo plano de retomada. O texto prevê exceções no caso da disposição "ser contra o interesse público", ou se não houver aço e ferro de qualidade satisfatória suficientes, ou ainda se os recursos aos únicos produtos americanos aumentarem o custo de um projeto em mais de 25%.