Título: PM é morto em conflito
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 08/02/2005, País, p. A3
RECIFE - Um policial militar foi morto e outro feito refém durante conflito ocorrido em um assentamento controlado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), no município de Quipapá, em Pernambuco. As vítimas foram rendidas no acampamento e teriam sido torturadas. O carro utilizado por eles foi depredado e incendiado. Armas, como pistolas, fuzil e metralhadora, além de equipamentos de trabalho, foram tomadas. A PM conseguiu resgatar parte do material. Ninguém foi preso.
Os policiais investigavam um casal supostamente integrante do movimento, suspeito de participar de uma quadrilha especializada em assaltos e roubos de carga.
A dupla foi localizada na divisa entre os Estados de Pernambuco e Alagoas, circulando em um Saveiro vermelho.
O sargento Cícero Jacinto da Silva e os soldados Adilson Alves Aroeira e Luiz Pereira da Silva foram ao local e iniciaram uma perseguição.
O veículo com o casal suspeito entrou no assentamento do Engenho Bananeira, localizado a dez quilômetros da zona urbana de Quipapá.
No local, os supostos integrantes do MST, movimento que controla o assentamento, desceram do Saveiro e começaram a gritar por socorro.
Um grupo de aproximadamente cem trabalhadores rurais teria atendido ao apelo. Cercados, os três policiais se renderam e se identificaram. Mesmo assim, o sargento foi imobilizado e levado para uma das casas.
O soldado Luiz Pereira da Silva também foi levado para o interior da gleba e desapareceu. O terceiro policial, soldado Aroeira, conseguiu fugir e solicitou reforço à PM de Palmares, cidade localizada a 50 quilômetros de Quipapá.
Cinqüenta policiais militares e civis, acompanhados de um representante do Ministério Público do Estado, foram ao local. A área foi cercada, e as negociações começaram.
Ao entrar no assentamento, os policiais encontraram o corpo do soldado Luiz Pereira da Silva caído ao lado de uma casa. Ele havia sido assassinado a tiros e, segundo o comandante da PM, apresentava sinais de tortura. Depois de libertado, o sargento disse ter sido amarrado e espancado e que permaneceu todo o tempo escondido em um barraco, vigiado por seis homens.