Título: Nos EUA, Dirceu retoma negociações da Alca
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Fonte: Jornal do Brasil, 04/03/2005, País, p. A2

Ministro conversa com Condoleezza Rice sobre livre comércio e Cuba

WASHINGTON - Acostumado a negociações políticas domésticas, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, teve ontem uma agenda de chanceler em Washington, onde encontrou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley. O ministro aproveitou a viagem e oficializou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o colega americano, George W. Bush, visite o Brasil.

- Foi um encontro de reafirmação das boas relações entre o Brasil e os Estados Unidos - afirmou Dirceu, que conversou com Condoleezza sobre Cuba e a retomada nas negociações da Alca.

Caso Bush aceite o convite, a data mais provável da viagem é no mês de novembro, quando o presidente americano participará, na Argentina, da Cúpula das Américas.

Com relação a Cuba, onde Dirceu se exilou durante a ditadura militar, o ministro disse que ''novamente registramos nossa concordância na discordância''.

- Temos a opinião de que o importante, neste momento, é haver mais relações, mais comércio, mais investimentos, mais viagens, mais remessas de recursos dos familiares para Cuba. Isso contribuiria mais para o desenvolvimento das relações entre os EUA e Cuba do que a política desenvolvida hoje.

Sobre a Alca, Dirceu afirmou que a negociação ''será mais longa e mais complexa'', mas os dois países têm interesse no grupo econômico para as Américas:

- O importante é que haja o desbloqueio e que se retomem as negociações.

Dirceu reconhece contudo, que o Brasil é um país mais complexo para chegar a um acordo.

- Temos uma base industrial, grande mercado interno e uma agenda com relação a investimentos e serviços. Isso torna mais difícil do que os outros países da América Latina. De qualquer forma, acredito que o reinício das negociações foi um bom sinal.

O chefe da Casa Civil afirmou ainda que o presidente Lula ''já tem todas as informações'' para fazer a reforma ministerial, mas deu um prazo de até duas semanas para a conclusão.

- Tudo que ele demandou de nós, realizamos. Conversas, consultas, avaliações dentro do governo. Conversamos com os ministros do PT. A situação está preparada para o presidente tomar as decisões. Não haverá nenhum empecilho da parte dos ministros do PT . Pelo contrário: o presidente terá todo o apoio - relatou Dirceu, em entrevista na Embaixada do Brasil em Washington.

Segundo o chefe da Casa Civil, o presidente fará a reforma nas próximas duas semanas. Sobre a volta da articulação política para um petista, disse que o assunto ''não está decidido'':

- O presidente nunca falou que vai voltar para o PT. Não podemos responsabilizar o Aldo por questões que são de responsabilidade de todos nós e do próprio PT.