Correio Braziliense, n. 21.139, 10/04/2021. Brasil, p. 5

 

Protocolo para vaga em UTI

10/04/2021

 

 

A Associação Médica Brasileira (AMB) lançou, ontem, com outras entidades que representam profissionais de diversas especialidades, um protocolo de recomendações para triagem de pacientes em cenário de falta de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs). São critérios para que os médicos possam definir melhor como otimizar os recursos no tratamento de pacientes com covid-19 em estado crítico. Segundo César Fernandes, presidente da entidade, o principal objetivo é "reduzir o maior número de mortes possível".

O documento estabelece, de forma transparente, critérios éticos e técnicos. Uma das responsáveis pelo protocolo, a médica intensivista Lara Kretzer, explicou que um dos aspectos a ser considerado entre os pacientes que vão receber o tratamento intensivo está a possibilidade de recuperação. Ou seja, aquele paciente que tiver mais chances de sobreviver à doença e aos métodos de tratamento terá prioridade. É levada em conta também a gravidade dos quadros de saúde e doenças em estágio avançado que possam reduzir as possibilidades de sobrevivência. A idade não é critérios de decisão.

Os pacientes que não tiverem prioridade em casos onde há falta de recursos, segundo os protocolos, devem continuar a receber os tratamentos disponíveis, inclusive aqueles que tragam conforto caso a morte seja inevitável. As decisões devem, de acordo com as recomendações, ser anotadas nos prontuários de forma transparente.

As recomendações vêm em um período que, para as entidades, é visto como crítico. "Atingimos um patamar em que o atendimento à população não é adequado, digno e não chega a todos, como a gente vê nessas filas", ressaltou a presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Suzana Lobo.

A fisioterapeuta intensivista Natally Ramos, que trabalha nos hospitais São Camilo e Metropolitano, em São Paulo, explicou que as novas regulações ajudam os profissionais a direcionar os casos de cada paciente. "É fundamental nesse momento, pois estamos superlotados e carentes até mesmo de medicações fundamentais, como sedativos. A triagem não serve apenas para pacientes com covid-19, mas para outras patologias que necessitam de atenção", explicou. (Colaborou Fernanda Strickland, estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi)