Título: A Escola Contra a Violência
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 09/02/2005, Brasília - Opinião, p. D2

Com muita facilidade é possível acharmos pessoas que não escondem sua intolerância com a violência infanto-juvenil. Há uma corrente no País que defende a redução da maioridade criminal, apostando que uma punição mais rigorosa aos jovens infratores é o melhor alternativa para inibir a violência e fazê-los pensar duas vezes antes de cometer um ilícito. O entendimento de que jovens com 15 ou 16 anos de idade têm compreensão dos seus atos pode até estar amparado na avaliação de especialistas na matéria. Mas não deixa de suscitar dúvidas quanto à eficiência do processo de internação dos jovens nos centros de ressocialização. Os fatos, largamente divulgados, mostram que os egressos dos centros de correção voltam para suas casa e, não passado muito tempo, são reincidentes no cometimento das infrações penais. Talvez, antes de questionar a idade ideal para para tornar um adolescente passível de punição pelas mesmas leis aplicadas aos adultos, fosse o caso de haver uma reflexão mais profunda sobre o sistema em que esses jovens estão inseridos.

Pesquisa de uma mestre da Sociologia da Universidade de Brasília estimula os professores a serem pró-ativos no combate às diferentes formas de violência contra as crianças, sobretudo, a doméstica. Os sinais de agressão são evidentes e os professores têm como identificá-los com muita facilidade, pois é impossível não perceber as mudanças de comportamento de um aluno em sala de aula.

Se todos querem a eliminação da violência e da criminalidade é preciso construir uma sociedade com base em outros paradigmas. Essa obra começa na família, se estende pela escola e se expande pela comunidade e por outros locais de convivência. Como exigir dos jovens comportamento menos agressivo se foram criados sob o signo da violência? Como fazê-los ter outra linguagem senão a que lhe foi ensinada nos primeiros anos de vida? A escola, em especial o professor, cumpre papel importante na reconstrução do jovem e da sociedade.