Título: ETA traz de volta a sombra do terror
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Fonte: Jornal do Brasil, 10/02/2005, Internacional, p. A8

Explosão de carro-bomba deixa 43 feridos no mais violento ataque em Madri desde os atentados de 11 de março de 2004 MADRI - A explosão de um potente carro-bomba em frente a um centro de exposições em Madri, reivindicada pelo grupo separatista basco ETA, deixou pelo menos 43 pessoas feridas, ontem pela manhã, e trouxe de volta à Espanha o fantasma do terrorismo.

A detonação ocorreu por volta de 9h35 em frente ao Campo das Nações, Nordeste da capital, local onde o Rei da Espanha e o presidente do México, Vicente Fox, estiveram à noite para inaugurar uma exposição de arte. No mesmo edifício, também funciona a sede de uma empresa de informática francesa, a Bull. Meia hora antes, o ETA havia feito um contato com o jornal basco Gara, , canal habitual de reivindicação do grupo separatista, para dar o alerta. Entre os feridos, cinco são policiais.

De Varsóvia, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero reagiu dizendo que a linha do governo espanhol de perseguir e prender os integrantes da organização não vai mudar.

- Queria dizer aos que fizeram isso ou aos que os apóiam que as bombas só levam à prisão. O terror do ETA não cabe na sociedade política nem civil. Continuaremos combatendo esses atos com toda a energia - enfatizou Zapatero.

O carro-bomba, que, segundo o ministro do Interior José Antonio Alonso, continha entre 20 e 30 quilos de explosivo cloratita - material cujo uso é a assinatura dos terroristas bascos - estava estacionado bem em frente ao edifício. Vidros voaram em pedaços em cinco andares.

- Ouvimos um enorme barulho, algumas pessoas estavam gritando e achamos que poderia ser um terremoto - contou o empresário Paco Astorga, que trabalha em um escritório nas proximidades. - Da janela, vimos uma coluna de fumaça branca e os policiais retirando as pessoas, algumas com os rostos sangrando - completou.

Em Bruxelas, o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, condenou o atentado, o primeiro do ETA depois de uma série de prisões de dirigentes que enfraqueceram a organização.

- Com os terroristas não se pode tratar. Este ato deve ser condenado por todo o mundo. É uma coisa terrível que não podemos tolerar - afirmou. - A comunidade internacional, e em particular a européia, está unida nessa luta.

O atentado coincidiu com uma grande operação das forças de segurança espanholas desfechada contra a organização. No fim do dia, 14 pessoas tinham sido presas no país basco, Navarra, Valência e Cádiz, por supostas vinculações com o ETA. De acordo com agentes de Inteligência, as detenções representarão um duro golpe na estrutura de recrutamento, informação e auxílio aos comandos bascos. O grupo era encarregado, também, do levantamento de informações sobre possíveis alvos.

Politicamente, o novo ataque separatista é registrado apenas uma semana depois de o parlamento espanhol ter rejeitado, por larga maioria, um plano proposto pelo premier da província basca, Juan Jose Ibarretxe, que previa uma virtual independência da região em relação ao resto do país. O ETA também era contra o plano de Ibarrretxe, dizendo que ele não ''ia longe o bastante''.

O premier basco, um nacionalista moderado, anunciou as eleições regionais para 17 de abril. Mas o Batasuna, o principal apoio político da organização terrorista, banido em 2003, foi informado de que só poderá participar do pleito se condenar publicamente a violência. Agindo desde 1968 em sua campanha de atentados a bombas e execuções, o grupo basco é reponsável por 850 mortes.