Título: Fármácia de Alto Custo ficará aberta 24 horas
Autor: Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 04/03/2005, Brasília, p. D3
Depois de uma crise, foi o que prometeu o secretário de Saúde
A Farmácia de Alto Custo do Hospital de Base passou a funcionar 24 horas, a partir de ontem. O secretário de Saúde do DF, Arnaldo Bernadino, tomou a decisão depois que um tumulto tomou conta da farmácia, por volta das 6h30, ontem pela manhã. O promotor de Defesa do Idoso e do Portador de Deficiência do DF, Vandir da Silva Ferreira, foi ao local para garantir o atendimento preferencial a idosos e deficientes, com base no Estatuto do Idoso e do Portador de Deficiência. A polícia foi chamada para conter a confusão. Muitas pessoas, na fila desde as 19h do dia anterior, não queriam dar à preferência aos idosos. Foram distribuídas 300 senhas, sendo 118 para idosos e deficientes.
- As pessoas se revoltam porque a espera é longa - afirma Ferreira.
Depois do promotor de Justiça, o secretário de Saúde esteve na farmácia e afirmou que irá descentralizar o atendimento. Para isso, prometeu implantar um programa de entrega de medicamentos em casa. Esse projeto já estava previsto para começar no final deste mês. Mas o secretário garantiu que irá antecipar o início em duas semanas. Será inaugurada ainda uma farmácia no Gama e outra no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), exclusiva para pacientes que têm direito ao remédio por meio de liminar da Justiça.
- Iremos também reformar um auditório do hospital para que as pessoas possam esperar sentadas e com mais espaço - garantiu o secretário Arnado Bernardino.
A idéia do secretário é criar duas áreas de atendimento, uma exclusivamente para idosos e deficientes e outra para os demais usuários da farmácia.
Para o atendimento 24 horas, serão convocadas 12 funcionários da Codeplan e outros 12 dos recursos humanos da secretaria.
Atualmente, são atendidas entre 400 e 450 pessoas, por dia, na Farmácia de Alto Custo e os gastos com a compra dos remédios é de R$ 4,7 milhões, por mês.
O aposentado José Augusto Cavalcanti, 73 anos, mora em Taguatinga, a cerca de 25 quilômetros do hospital, e todos os meses vai à farmácia de Alto Custo. Ontem, ele esperou duas horas só para pegar a senha, mas mesmo assim não reclama do atendimento.
- O atendimento é bom. Só que é muita gente - afirma.
Já dona de casa, Maria de Lourdes do Nascimento, 48 anos, critica o tempo de espera e falta de remédio. Ela chegou à farmácia, às 5h45 e só conseguiu os remédios às 11h.
- Precisava de três remédios para o tratamento do meu pai, eles tinham dois. Falta organização para atender melhor - afirma.