Título: Saída de Jiang Zemin consolida nova geração
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Fonte: Jornal do Brasil, 05/03/2005, Internacioal, p. A9
Ex-presidente renuncia à chefia da Comissão Militar
PEQUIM - O ex-presidente chinês Jiang Zemin renunciou ontem à chefia da Comissão Militar Central do governo, o último cargo que ocupava, pondo fim a uma era na história da República Popular da China. Na Assembléia Nacional Popular (Poder Legislativo), Jiang anunciou a saída da política nacional, abrindo caminho para a ''quarta geração de líderes'', depois de mais de 15 anos na direção do Estado e do Exército.
Jiang (78 anos) iniciou a retirada da cúpula de poder ao ceder a Secretaria-geral do Partido Comunista da China (PCC) em outubro de 2002, a presidência do governo em março de 2003 e a direção da Comissão Militar Central do PCC em setembro de 2004.
- Espera-se que o presidente Hu Jintao, que já sucedeu Jiang nos outros três cargos, assuma também este último, o menos importante - acrescentou a agência estatal chinesa de notícias, Xinhua.
Hu Jintao já se configura como o líder indiscutível da China, à frente da quarta geração de dirigentes do Partido Comunista, cujos antecessores foram Jiang Zemin, Deng Xiaoping e Mao Tsé-Tung.
Às vésperas da abertura da sessão anual do Parlamento, o presidente chinês advertiu que ''não vai tolerar'' a independência de Taiwan. A Assembléia pretende adotar um aumento no orçamento militar para 2005 de 12,6%.
- Continuaremos fazendo todos os esforços com sinceridade para conseguir uma perspectiva de reunificação pacífica - afirmou Hu, ante um grupo de delegados da segunda câmara do Parlamento, que tem função apenas consultiva.
Os 3 mil delegados da Assembléia Nacional Popular devem adotar até 14 de março, uma lei anti-secessão sobre Taiwan, destinada a decretar ilegal qualquer declaração de independência da ilha.
A China considera Taiwan, que desfruta de uma independência de fato há mais de 55 anos, uma província rebelde e se reserva o direito de recorrer à força se a ilha se declarar formalmente independente.