Correio Braziliense, n. 21149, 20/04/2021. Política, p. 4
Se votar em Lula, "merece sofrer”
Ingrid Soares
20/04/2021
Apesar de repetir que não se importa com reeleição, o presidente Jair Bolsonaro se mostra incomodado com o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estar livre para concorrer ao pleito de 2022. O salvo-conduto ao petista foi garantido com a anulação, no Supremo Tribunal Federal (STF) das condenações contra ele.
Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a criticar Lula e o STF. "Foi 8 a 3 o placar lá (no julgamento na Corte). Interprete como quiser. Agora, um povo que, porventura, vote num cara desse é um povo que merece sofrer", disparou.
Bolsonaro também comentou sobre as indicações para o STF, daqui a dois anos. "As eleições do ano que vem, quem se eleger, indica dois para o Supremo no primeiro trimestre de 2023. Então, se for um cara da minha linha, vão ter quatro que, né... mudam as coisas. Alguns querem que dê um cavalo de pau no Brasil, não dá para dar um cavalo de pau no Brasil", ressaltou.
O chefe do Planalto voltou a criticar o lockdown e disse que para resolver a questão teria de apelar para a ditadura, o que não fará. "O povão vai aprendendo devagar, vai se interessando. Muita gente vê o problema imediato, ali, para eu resolver. Só se eu impusesse uma ditadura. A gente não vai fazer isso. Não tem cabimento. Não tem ditadura boa", emendou.
Ele citou a Venezuela como exemplo de país autoritário e disparou mais críticas ao PT. "Pessoal, estuda aí. A Venezuela, todo mundo sabe como está, né? Só um milagre para voltar ao que era antes. Um país riquíssimo. Vê como estão os outros países da América do Sul. Quando começam esses regimes autoritários aí... Aquela política...", afirmou. "Até tem uma passagem bíblica, se não me engano, quando Jesus dividiu o pão. Depois, ele deu uma desaparecidinha, né? O povo foi atrás. Foi atrás de Jesus, para quê? Para mais benefícios pessoais. Fizeram a ligação com o PT dando bolsa isso, bolsa aquilo."
Sobre corrupção no governo, o mandatário reforçou que "pode ser que aconteça". "Em casa, alguém, às vezes, faz a besteira. Se fizer, a gente corta o pescoço", enfatizou.