Título: Área pertenceria à União
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 14/03/2005, País, p. A2
Segundo o Ministério Público, a venda das terras na década de 70 pelo governo do Amazonas a empresários paulistas também seria irregular pelo simples fato de que a área não pertencia ao estado e sim à União. Na investigação preliminar que apurou a legalidade das desapropriações e das ofertas de preços pelos lotes, o Ministério Público verificou que a área de alagamento e do loteamento eram, à época, ''terras ocupadas por silvículas''. Em depoimento ao MP em abril de 2002, o indigenista José Porfírio Fontenelle de Carvalho disse que em incursão ao local, em 1971, se deparou com mais de 50 índios Waimiri Atroari realizando atividade de caça e pesca. Em conversas com os indígenas, teria sido informado sobre a existência de de uma grande maloca em terras altas às margens dos Rios Uatumã e Pitinga. E que, durante a visita à sede do INCRA em Manaus, no mesmo ano, teria tomado conhecimento de que o governo do Amazonas pretendia lotear a região. Preocupado, informou a direção da FUNAI em Brasília.
Em 1986 , acrescentou o indigenista, ele chegou a ser convidado pela Eletronorte para auxiliar no processo de configuração do contorno do reservatório de Balbina, que incidia sobre as terras indígenas. Nesta ocasião, ficou sabendo que empresários paulistas diziam-se portadores de títulos de propriedade da região.
A diretora de comunicação do governo do estado do Amazonas, Lúcia Carla, foi contactada pela reportagem do Jornal do Brasil mas disse não ter encontrado, até o início da noite de sexta-feira, uma pessoa que pudesse prestar esclarecimentos ao jornal.
Por ocasião da instalação da comissão no estado para investigar o caso, o ex- senador Pedro Piva confirmou a veículos de comunicação do estado do Amazonas ter entrado na Justiça contra a Eletronorte para reaver o que gastara nas terras. Disse ter adquirido os títulos intermediado pelos irmãos Vergueiro (empresários Sérgio e Fernando Vergueiro, que também movem ações na Justiça contra a Eletronorte).
Acrescentou que chegou a visitar as terras entre 1975 e 1976, quando construiu na área a serraria Serrago. Para o investimento, teria contraído um financiamento junto ao Banco do Brasil, e amargado um prejuízo avaliado em R$ 1 milhão quando a represa hidrelétrica inundou a área.