Título: País lembra vítimas do 11 de março
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Fonte: Jornal do Brasil, 11/03/2005, Internacional, p. A8
Há um ano, a explosão de 10 bombas em trens em Madri matou 192 pessoas e feriu mais de 1500
MADRI - Vários atos serão realizados na Espanha em memória das vítimas do maior atentado terrorista já perpetrado no país e que hoje completa um ano. Na manhã de 11 de março do ano passado, quando milhares de pessoas iam para o trabalho, a explosão de 10 artefatos em linhas de trem de Madri matou, em poucos minutos, 192 pessoas e deixou mais de 1500 feridos.
As homenagens começarão de manhã, com as badaladas, em uníssono, dos sinos das 650 igrejas da região de Madri. O principal ato, no entanto, será celebrado ao meio-dia diante do monumento batizado ''Bosque dos Ausentes'', no Parque El Retiro, também na capital espanhola. No lugar, 192 ciprestes e oliveiras, rodeados por uma lâmina circular de água - que simboliza a vida - recordam as vítimas.
O rei Juan Carlos e a rainha Sofia colocarão flores no bosque e presidirão um ato, sem discursos, acompanhados dos príncipes de Astúrias, do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, dos líderes do Congresso e do Senado, assim como dos chefes de Estado que participaram na capital da Cúpula Internacional sobre Democracia, Terrorismo e Segurança, encerrada ontem.
O rei do Marrocos, Mohamed VI, foi ao país especialmente para o ato, tendo em vista que a maior parte dos detidos pelos atentados de 11 de março é de origem marroquina.
Já o presidente americano, George Bush, enviou ao Palácio da Moncloa uma mensagem de condolências e de solidariedade ao povo espanhol.
Ao considerar os ataques de 11 de março como ''uma sombria recordação de que há pessoas no mundo que querem assassinar inocentes'', Bush afirmou na nota que os terroristas ''odeiam e atacam qualquer país do mundo que defenda a democracia, a tolerância e a liberdade''. Ao concluir a mensagem, o presidente pede a Deus ''que bendiga o povo da Espanha e as almas dos ausentes''.
No Congresso espanhol as homenagens também começaram ontem. Os deputados fizeram vários minutos de silêncio e ficaram de pé ao ouvir as notas de um violoncelo, que interpretou a sinfonia número dois de Johann Sebastian Bach.
- A dor dos atentados afetou a vida em toda a Espanha e suas cicatrizes persistem - disse Zapatero.
Hoje, um texto aprovado na Câmara dos Deputados, no qual se condena ''todo tipo de terrorismo'', será lido.
A declaração expressa ''solidariedade e reconhecimento'' às vítimas de Madri e a ''todas que por anos sofreram o castigo bárbaro do terrorismo'', independentemente de sua origem.
O texto destaca ainda que um ano depois as seqüelas físicas e psicológicas continuam afetando a vida dos feridos.
''É necessário apoiá-los e satisfazer suas necessidades econômicas e de inserção social para que possamos fazer justiça'', ressalta a declaração.