O Estado de São Paulo, n. 46502, 10/02/2021. Política, p. A10
Decano do Senado lutava contra covid desde novembro
10/02/2021
Parlamentar de 87 anos estava hospitalizado desde dezembro do ano passado; Pacheco decretou luto de 24h
JOSE MARANHÃO * 1933 + 2021
Morreu na noite de anteontem o senador José Maranhão (MDB-PB), vítima da covid-19. Maranhão tinha 87 anos e estava internado desde dezembro no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. O corpo do parlamentar foi levado para sua terra natal, Araruna, na Paraíba, onde seria sepultado.
O emedebista foi a segunda vítima da doença no Senado. Em outubro passado, Arolde de Oliveira (PSD-RJ), de 83 anos, morreu após ser infectado com o novo coronavírus.
Maranhão era o senador mais velho da atual legislatura. Ele estava em sua segunda passagem pela Casa – exerceu mandato entre 2003 e 2009.
Em nota, a assessoria do senador informou que ele lutava contra as complicações decorrentes da covid-19 desde o dia 29 de novembro, data do segundo turno das eleições municipais, quando foi internado em João Pessoa. No dia 3 de dezembro, foi transferido para a UTI do Hospital Vila Nova Star.
José Targino Maranhão nasceu no dia 6 de setembro de 1933. Graduou-se em Direito pela UFPB. Iniciou a carreira política em 1955 como deputado estadual. Desde então, foi deputado federal, vice-governador e governador da Paraíba por três vezes. Teve os direitos políticos cassados pelo regime militar, mas voltou à atividade parlamentar com a redemocratização do País.
Filiado ao MDB desde 1967, ele presidia o partido na Paraíba. Em 2019, foi Maranhão quem comandou a sessão do Senado que elegeria Davi Alcolumbre (DEM-AP) presidente da Casa. Na ocasião, a primeira votação precisou ser anulada após serem depositados 82 votos na urna, um a mais do que o número total de senadores.
Maranhão deixa a mulher, a desembargadora Maria de Fátima Bezerra, do Tribunal de Justiça da Paraíba, três filhos (Maria Alice, Leônidas e Letícia) e dois netos (José Neto e Maria de Fátima).
Com a morte de Maranhão, a senadora Nilda Gondim (MDB-PB), mãe do também senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), assume a vaga de forma definitiva. Ela já estava no cargo como suplente desde o mês passado.
Luto. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decretou luto oficial de 24 horas no Congresso. As discussões internas de trabalho, como a reunião de líderes, no entanto, foram mantidas, informou o Congresso.