O Estado de São Paulo, n. 46512, 20/02/2021. Metrópole, p. A22

Pazuello diz para não reter vacina para 2ª dose
Mateus Vargas
20/02/2021



Ele prometeu a prefeitos nova remessa, além de antecipação da imunização de professores

O ministro. Pazuello reiterou a governadores, na quarta-feira, que toda a população 'vacinável' será imunizada neste ano

Pressionado pelo ritmo lento de vacinação, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse a prefeitos ontem que não será mais preciso reter metade dos lotes disponíveis até a aplicação da segunda dose. A nova orientação passaria a valer a partir do dia 23, quando o governo espera receber mais 4,7 milhões de vacinas.

A mudança não significa que a segunda dose deixará de ser aplicada. No começo da campanha, o ministério pediu para que metade das doses fosse retida pelo risco de não haver reposição dos estoques a tempo. Pazuello disse aos prefeitos que há segurança agora para usar todo o estoque para a primeira dose e receber novas vacinas no prazo para a segunda aplicação.

O ministro também prometeu antecipar a vacinação de professores, em reunião com representantes da Frente Nacional dos Prefeitos. Na terça-feira, a entidade se posicionou de forma crítica ao governo em relação à escassez de imunizantes. Cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Florianópolis já anunciaram ter parado ou reduzido o ritmo da campanha de vacinação. "Agora, o problema da escassez quem tem de resolver é o Ministério da Saúde", disse a entidade em nota.

A FNP anunciou pelo Twitter ontem a nova estratégia de vacinação. "A partir do dia 23, com a chegada de 4,7 milhões de novas vacinas, a imunização será em 4,7 milhões de brasileiros, não a metade, como estava acontecendo até então."

Cobrado por um cronograma de entrega de vacinas, Pazuello reiterou a governadores, na quarta-feira, que toda a população "vacinável" (excluindo menores de 18 anos) será imunizada este ano. Ele ainda prometeu a entrega de cerca de 455 milhões de doses de vacinas em 2021, mas considerou a vinda de imunizantes que ainda nem sequer entregaram todos os dados de segurança e eficácia à Anvisa, como a Covaxin e a Sputnik V. O ministro também ignorou possíveis atrasos em entregas já contratadas.