Título: Frente quer poder de decisão
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/03/2005, Economia & Negócios, p. A17

Empresários, sindicalistas, economistas e professores universitários lançaram ontem uma campanha pela ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN). O conselho é o órgão responsável, entre outras funções, pela definição da taxa de juros de referência para empréstimos do BNDES, a TJLP, e de políticas de financiamento imobiliário (SFH).

Eles querem que o conselho, composto hoje por três representantes (Fazenda, Planejamento e Banco Central), passe a contar com nove representantes. Desse total, cinco seriam representantes do governo e quatro da sociedade civil.

Entre os cinco representantes do governo, seriam mantidos os três atuais acrescidos do ministro do Trabalho e por um assessor especial da Presidência da República, que desempenharia a função de secretário-executivo.

Já entre os quatro representantes da sociedade civil, duas vagas seriam dirigidas para a classe empresarial e as outras duas para representantes dos trabalhadores.

- O aumento consecutivo dos juros levou a sociedade a se organizar e a puxar um movimento como este. É preciso pensar a política econômica com os olhos do setor produtivo - disse Luiz Marinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A ação ganhou apoio ainda de representantes de vários setores empresariais - Iedi, Ethos, CNI, Fiesp, Simpi, entre outros -, que assinaram uma carta em conjunto com a CUT reivindicando a ampliação do CMN.

Segundo Marinho, essa carta será enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias.

O professor de economia da Unicamp, Ricardo Carneiro, disse que o atual modelo de se fazer política econômica no país ''já se esgotou''.

- A eficácia desse modelo centrado simplesmente no combate à inflação por meio de juro alto é duvidosa. Por isso, questiona-se a institucionalidade desse modelo - disse.

Carneiro, como os demais representantes da campanha pela ampliação do CMN, defende flexibilidade nas metas estabelecidas para a política econômica.