Título: Energia precisa de US$ 20 bilhões
Autor: Daniele Carvalho
Fonte: Jornal do Brasil, 16/03/2005, Economia & Negócios, p. A19
Para Cepal, investimento pelos próximos três anos evitaria crise de abastecimento na América do Sul
A América do Sul precisa investir US$ 20 bilhões em projetos de energia elétrica nos próximos três anos para resolver os problemas de escassez e para evitar uma crise energética na região. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), os investimentos de mais de US$ 77 bilhões feitos no setor durante os anos 90 foram insuficientes pata atender à demanda local.
O documento, que será divulgado hoje na íntegra em evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), revela que o investimento estrangeiro direto (IED) será essencial para atingir a meta.
Segundo a Cepal, os aportes feitos pelo capital estrangeiro na região não atingiram as expectativas por não terem dado ênfase ao aumento da capacidade de geração de energia.
O estudo da Cepal revela que três quartos desses investimentos foram utilizados para adquirir ativos existentes, e apenas um quarto para novos investimentos ou melhorias.
A instituição alerta que continua sendo necessário ampliar a capacidade de geração e de transmissão no setor elétrico, aumentar as reservas de petróleo e gás e construir gasodutos. Em 2001, o Brasil enfrentou uma crise de abastecimento e viveu o risco de apagão, o que provocou o racionamento de energia.
Na avaliação da Cepal, o investimento insuficiente no Cone Sul foi resultado de decisões de empresas transnacionais no contexto de dificuldades regulatórias, macroeconômicas e climáticas.
O relatório cita as crises na Argentina e no Brasil, que levaram a drásticas desvalorizações nas moedas e impacto nas empresas do segmento.
O documento destaca a atuação das empresas de petróleo e gás (Petrobras, Repsol-YPF e Total), que viram uma oportunidade e agora são as que estão melhor posicionadas para investir e integrar-se na cadeia gás natural-eletricidade.
A conclusão do relatório da Cepal é de que o desafio está em promover o investimento na expansão de capacidade por meio de um arcabouço regulatório, que respeite as prioridades nacionais e permita o cumprimento de objetivos corporativos.