Título: Irã faz de execução um espetáculo
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/03/2005, Internacional, p. A8

Assassino em série levou 100 chibatadas e foi enforcado em público

AFP Amarrado a um tronco, Bijeh recebeu as chicotadas antes de ser pendurado pelo pescoço até morrer

PAKDASHT - No Irã, o castigo a crimes considerados hediondos ainda lembra as práticas da Idade Média. Um assassino em série, condenado por seqüestrar e assassinar pelo menos 21 pessoas, a maioria delas crianças, foi chicoteado, esfaqueado e enforcado ontem em uma cidade no sul do Irã. A execução da sentença foi cumprida diante de uma multidão estimada em quase 5 mil pessoas, segundo repórteres que acompanharam a cena.

Mohammad Bijeh, de 32 anos, ficou conhecido pelo apelido de ''O Vampiro do Deserto'' dado pela imprensa iraniana. O nome surgiu em função da forma como o réu agia. Depois de ser conduzido amarrado nas mãos e pés por guardas revolucionários até a praça central da cidade, primeiro recebeu as 100 chibatadas nas costas, dadas com um chicote de couro.

Boa parte da platéia, sobretudo aquela formada por parentes das vítimas, assistiu ao justiçamento com indisfarçável satisfação. Outros decidiram agir por conta própria. Antes de ser amarrado ao guindaste, Bireh foi atacado pelo irmão de uma das crianças, que conseguiu furar o esquema de segurança e o esfaqueou. Depois, a mãe de outra criança colocou uma corda de nylon no pescoço do condenado para que fosse enforcado com ela.

O assassino de 32 anos, não esboçou qualquer reação. Permaneceu calmo e em silêncio durante o todo o castigo, mesmo enquanto era erguido pela grua a mais de 20 metros de altura, em meio aos gritos do público. Esse tipo de enforcamento é extremamente doloroso.

- Pense no que você fez às nossas crianças - gritou um pai. - Bata neste bastardo mais forte - dizia, por sua vez, Ali Khosravi, cujo filho de 10 anos, Kayvan, foi morto e depois queimado pelo assassino, cujos métodos eram bastante cruéis. Num dos casos em que esteve envolvido, Mohammad Bijeh comeu a perna da vítima.

- Este é o melhor dia da minha vida. Eu gostaria de estrangulá-lo e queimá-lo com minhas próprias mãos - acrescentou Khosravi, segurando a mão de sua filha de oito anos, Sarah.

Bijeh e seu cúmplice, Ali Baghi, foram presos em setembro de 2004. Durante mais de um ano, eles ludibriavam crianças para que os acompanhassem ao deserto para ir atrás de coelhos e raposas. Os dois - que trabalhavam em construção civil - golpeavam suas vítimas com pedras, abusavam sexualmente deles e queimavam os corpos no deserto. Ambos foram inicialmente condenados ao enforcamento, mas em janeiro a Suprema Corte decidiu que Baghi deveria ficar 15 anos atrás das grades. Ontem, a multidão exigia que o segundo condenado também fosse morto.

- Ele matou meu filho. Ele confessou, tem que ser executado - dizia Ali Dad Azimi, o pai de Ahmad, de nove anos.

Depois que o corpo de Bijeh foi levado por uma ambulância, a massa, ainda enfurecida, atirou pedras em policiais e soldados. Desde o começo do ano, nove pessoas foram executadas no Irã, de acordo com testemunhas e reportagens da imprensa local. No ano passado, 97 foram condenadas à morte no país. Assassinato, ataques armados, estupro e tráfico de drogas de mais de cinco quilos são punidos com pena capital no Irã.