Título: Críticas renovadas ao aperto monetário
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 17/03/2005, Economia & Negócios, p. A17

A sétima elevação dos juros renovou as reações contrárias do setor produtivo ao Copom. Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a decisão está ''em desacordo com o atual cenário da economia, que mostra comportamento favorável da inflação e sinais de acomodação da atividade econômica''.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma estar ''preocupada com a disseminação de um falso consenso, de que o aperto monetário seja a única e necessária reação a eventuais pressões inflacionárias'', e pede ''adequação dos gastos públicos, que aumentaram de forma expressiva em 2004''.

O diretor-adjunto do departamento de economia do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), Antônio Corrêa de Lacerda, classificou a questão da alta de juros como profecia auto-realizável.

- Na verdade, o mercado prevê a sua tendência e prontamente ela se torna um falso consenso - afirmou. - Essa elevação continuada tem impactos negativos sobre os investimentos e o custo de financiamento da dívida pública, além de provocar uma valorização artificial da taxa de câmbio.

Para o presidente da Federação do Comércio do Rio, Orlando Diniz, o setor está preocupado com um possível prejuízo nos ''bons resultados que o comércio vem obtendo a partir do esforço dos empresários, porque cria dúvidas quanto ao futuro dos investimentos, das contratações e da geração de renda para o consumidor''.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ''perdeu o controle da economia''.

- Como o presidente vai à TV defender essa política econômica, na hora de se reeleger, com juros subindo e desemprego aumentando?

Com Jiane Carvalho