Título: Mais emprego na indústria
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 17/03/2005, Economia & Negócios, p. A18
Apesar do juro, contratação sobe 0,4% em janeiro e acumula alta de 1,8% em 12 meses
Seguindo a trajetória das vendas do comércio, o crescimento do emprego industrial indica que a política de alta de juros iniciada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em setembro ainda não surtiu o efeito desejado pelo governo sobre a atividade econômica. Ontem, o IBGE divulgou que o nível de emprego na indústria subiu 0,4% em janeiro em relação ao mês anterior. Na comparação com igual mês de 2004, a alta foi de 3,2%.
O avanço da folha de pagamento, que reflete o valor pago aos trabalhadores, cresceu 6,2% entre dezembro e janeiro e 5% em relação a janeiro de 2004.
De acordo com o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, a alta dos juros leva algum tempo até fazer efeito e não atinge todos os setores da mesma forma.
- Quando é que o aumento da Selic vai bater no setor de serviços? E no crédito? Até que ponto há algum efeito atualmente sobre produtos como os bens de consumo não-duráveis (como alimentos)? - questiona Romão, ressaltando que não há indicação de que a demanda por crédito vá arrefecer no curto prazo. Segundo ele, o avanço do emprego industrial reflete o ganho de importância do mercado interno em 2004.
- O emprego começou a se recuperar no setor de duráveis e, desde meados de 2004, passou a crescer mais em semi-duráveis e não-duráveis, especialmente nos alimentos - diz, revelando que este segmento, embora não pague salários tão elevados, é intensivo em mão-de-obra e puxa as contratações quando está aquecido.
André Macedo, economista da Coordenação de Indústria do IBGE, ressalta que, no acumulado de 12 meses, o nível de emprego no setor registra alta de 1,8%.
- A expansão da atividade industrial em 2004 sustenta o crescimento do emprego - diz Macedo, acrescentando que os setores da indústria que mais contrataram em janeiro foram máquinas e equipamentos, meios de transporte e alimentos.
Entre as unidades da federação, Macedo explica que São Paulo e Minas Gerais puxaram as contratações no primeiro mês do ano. O nível de ocupação subiu 2,6% na indústria paulista e 5,3% nas fábricas mineiras.
Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul registraram as duas únicas contribuições negativas no indicador, com quedas de 1% e 1,2%, respectivamente. De acordo com o IBGE, o mau desempenho fluminense foi puxado por vestuário (-10,2%) e produtos de metal (-18,8%), enquanto os gaúchos tiveram maior perda de postos de trabalho em calçados e couro (-13,9%) e outros produtos da indústria de transformação (-8,6%).
Macedo explicou ainda que a expressiva alta de 6,2% da folha de pagamento foi puxada pelo pagamento de benefícios de férias, pela inflação mais baixa no início de ano e pela maior demanda por funcionários.
A exceção foi o desempenho das horas pagas, que recuaram 0,9% na comparação com dezembro, embora tenham crescido 2,9% na comparação com janeiro de 2004.