Título: Operação de guerra nos hospitais
Autor: Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 12/03/2005, Rio, p. A13

Grupo de trabalho do Ministério da Saúde organiza mutirão de atendimento e promete urgência para sanar deficiências da rede

O Ministério da Saúde iniciou ontem uma operação de guerra para resolver a crise no sistema municipal de saúde no Rio. O grupo de trabalho montado pelo governo federal corre contra o tempo para melhorar o atendimento ainda neste fim de semana. Médicos, diretores e interventores traçam um diagnóstico dos seis hospitais assumidos. O ministério anunciou que serão feitas compras emergenciais de equipamentos e medicamentos. Nos próximos dias devem ser publicados editais de licitação para contratação de pessoal. A Força Aérea Brasileira será acionada para trazer medicamentos de outras partes do país. - Montamos uma verdadeira operação de guerra até que a situação esteja definitivamente resolvida e a população tenha um atendimento digno - disse o ministro Humberto Costa.

Costa detalhou ontem as ações do governo após a decretação do estado de calamidade pública na rede hospitalar da cidade. Foram requisitados seis hospitais: Miguel Couto, Souza Aguiar, Andaraí, Lagoa, Ipanema e Cardoso Fontes. A gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) passou para a secretaria estadual, por tempo indeterminado. Segundo o coordenador da intervenção, Sérgio Côrtes, diretor do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia, o levantamento das deficiências e recursos humanos das seis unidades será imediato.

- É uma ação para salvar vidas - afirmou.

A primeira ação está voltada para as emergências, com o abastecimento de remédios e reforço de 74 ambulâncias. Haverá compras emergenciais, obras e contratações nos próximos dias.

- Também vamos regularizar o pagamentos dos prestadores privados. Cada hospital receberá um auditor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS para fazer o balanço da situação e ajudar a identificar as necessidades - acrescenta o ministro, informando que os diretores das unidades não serão exonerados.

De acordo com Costa, os médicos residentes decidiram trabalhar voluntariamente no fim de semana. Todos os hospitais federais estarão abertos e receberão pacientes transferidos da rede municipal, onde o atendimento foi reduzido em até 80%.

- O fluxo de pessoas deve ser grande no começo. Estamos convocando profissionais que queiram trabalhar como voluntários - anunciou o ministro, informando que poderão ser criados mutirões de cirurgia.

- Enquanto a prefeitura não assumir seu papel de atenção básica, as emergências continuarão lotadas - acrescentou Cortes.

No Into, que passará a funcionar 24 horas, as cirurgias eletivas serão reduzidas à metade, para permitir o atendimento de idosos e dos casos de fraturas graves na unidade.

Segundo o ministro, o governo federal foi ''obrigado a adotar a resolução'' de intervenção diante das tentativas frustradas de negociação com a prefeitura.

- A prefeitura bateu o pé. Para nós, já estava claro que o desejo não era de negociar, mas era de criar um factóide político - afirmou Costa.

Segundo o ministro, o repasse para a prefeitura era de R$ 2 bilhões por ano, o que representa 5% do orçamento do ministério. Costa lembra que também foram oferecidos ao município cerca de R$ 55 milhões para novos investimentos.

- Pouco se caminhou no município na mudança do modelo assistencial, que está centrado nos hospitais - criticou o ministro.