Título: Cobrança em filas é investigada
Autor: Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 22/03/2005, Rio, p. A13

Ministério da Saúde instala posto para receber denúncias dos pacientes do Hospital Souza Aguiar

Rafael Andrade Mãos do paciente José Souza: denúncia de cobrança por lugar na fila

A ouvidoria do Hospital Souza Aguiar, que ficava escondida sob uma escada nos fundos do prédio, foi instalada ontem dentro do pronto-socorro do hospital. A medida foi a solução encontrada pelo interventor do Ministério da Saúde na unidade, Roberto Bittencourt, para coibir a cobrança de taxa por funcionários para furar a fila da emergência, prática denunciada ontem pelo JB. O ouvidor ficará disponível das 8h às 16h, de segunda a sexta, registrando em ata as reclamações, mesmo que o paciente não queira se identificar. O Ministério da Saúde recebeu a primeira denúncia formal ontem pela manhã, de um paciente que ficou indignado com a cobrança. Com uma forte tosse há uma semana, o zelador José de Souza Luna, 49 anos, aproveitou a folga de domingo para procurar atendimento médico. Depois de passar três horas na fila do Hospital do Andaraí, o morador da Tijuca foi informado de que só conseguiria socorro no Hospital Souza Aguiar. Lá chegando, às 10h30, encontrou uma fila com mais de 20 pessoas. De acordo com José, um funcionário baixo, trajando um uniforme marrom claro, disse que ele podia ser atendido na frente dos outros pacientes, se quisesse. Para isso, teria que ''deixar algum dinheiro'' com ele.

- Fiquei transtornado. Preferi aguardar na fila. Comentei com algumas pessoas, que também preferiram não pagar, mas todos acharam que não adiantaria reclamar - contou José.

Depois de ser atendido, por volta das 15h, José ligou para o número que fica na portaria do hospital (0800-61-1997) para reclamações, mas não foi atendido.

- Eu não desisti. Precisava denunciar aquele absurdo, imagina, cobrar para ser atendido num hospital público.

José então voltou a ligar para o disque-denúncia do Ministério da Saúde, e fez sua reclamação, descrevendo fisicamente o funcionário que cobrara a propina no domingo. O interventor do hospital, Roberto Bittencourt, declarou abrirá um inquérito administrativo assim que receber o relatório com as denúncias .

O coordenador das unidades sob intervenção federal, Sérgio Côrtes, não acredita na possibilidade da prática ter partido de funcionários da unidade.

- É preciso ter cuidado para não massacrar os funcionários, que estão trabalhando dia e noite para a melhoria dos serviços - disse Côrtes.