Título: Déficit é de 4 mil profissionais
Autor: Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 22/03/2005, Rio, p. A13

Levantamento do Tribunal de Contas do Município revela que faltam profissionais de diversas áreas, de médicos a auxiliares

Um levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) em oito hospitais da rede municipal do Rio mostra que há um déficit de 4.232 profissionais, entre médicos, enfermeiros e auxiliares de diversas áreas. O relatório de quase 500 páginas foi concluído no mês passado. O documento serviu como justificativa para o pedido da CPI da saúde na casa legislativa. O Ministério da Saúde anunciou a contratação de 1.140 profissionais para os seis hospitais sob intervenção no Rio, mas representantes da classe médica consideram o número insuficiente para resolver a carência da rede. - A contratação do Ministério da Saúde vem cobrir uma lacuna nos hospitais sob intervenção, mas como fica a situação dos postos e centros de saúde da cidade? - pergunta o vereador Rubens Andrade, que pediu a inspeção nos hospitais Souza Aguiar, Salgado Filho, Cardoso Fontes, Miguel Couto, Andaraí, Paulino Werneck e Lourenço Jorge. Das unidades, o Hospital Souza Aguiar, no Centro, é apontado com o maior número de carência: faltam 1.002 profissionais. Entre eles, 428 auxiliares de enfermagem, 123 enfermeiros e 36 anestesistas. O Hospital Salgado Filho, no Méier, é o segundo com maior defasagem de funcionários: 763. O principal déficit são enfermeiros: 152 seguidos por 129 auxiliares de enfermagem e 62 médicos clínicos.

No Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, a falta de profissionais chega a 697 pessoas, entre elas, 59 técnicos em radiologia, 31 farmacêuticos e 18 cirurgiões. O prefeito Cesar Maia contesta os números:

- Devem ter trabalhado com índices de produtividade dos anos 50. Não é fato. Faltam apenas os que se aposentaram, ou pediram licença, ou saíram em 2005, que são dezenas - afirmou Cesar, informando que pediu ajuda do governo federal para contratações.

- Desde 1999 levamos um calote deles (ministério) que não ressarcem os servidores à disposição apesar de estar no contrato - acrescenta.

Segundo Rubens Andrade, o relatório também apontou problemas de estrutura física, equipamentos, material e recursos financeiros.

- A saúde é feita com pessoas e a crise é administrativa - opina Andrade.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze, diz que a falta de profissionais deve ser explicada pela prefeitura.

- Será que a insuficiência de profissionais é por falta de caixa da prefeitura ou pela ausência de políticas de recursos humanos com atrativos? - questiona.

Segundo Darze, o salário de um médico recém-formado é de R$ 1.200 por 24 horas semanais. Para ele, além do baixo salário, o ambiente de trabalho nas unidades hospitalares leva a um grande número de evasão. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a rede tem 41 mil profissionais. São 102 postos, 15 hospitais de atendimento especial, sete maternidades, 13 hospitais e 11 unidades de atendimento psiquiátrico.

Segundo Aloisio Tibiriçá, coordenador do grupo de emergência e saúde pública do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), há uma dificuldade das entidades médicas em obter dados oficiais sobre o déficit de pessoal.

- O Ministério da Saúde vai contratar 1.140 profissionais para seis unidades. Há uma discrepância no quantitativo dos números - diz Tibiriçá.

Segundo o presidente do Conselho Distrital da Zona Oeste, Adelson Alípio, para suprir só os postos de saúde seriam necessários cerca de 20 mil profissionais. Cesar Maia disse que não pode avaliar as contratações do ministério por não saber os critérios usados pelo órgão.

- Em janeiro de 2001 quando entrei tínhamos 18 mil servidores. Hoje temos 28 mil. Os problemas são marginais de giro de pessoal - informou o prefeito.