Título: Mutirão para cirurgias eletivas
Autor: Ana Paula Verly
Fonte: Jornal do Brasil, 25/03/2005, Rio, p. A13
O Ministério da Saúde e o governo do estado vão publicar na terça-feira um edital para convocar hospitais privados e públicos - exceção aos da rede federal - que queiram participar de um mutirão de cirurgias eletivas de média complexidade. De acordo com relatório do Ministério Público estadual, cerca de 14 mil pessoas aguardam nas filas das unidades estaduais e municipais da capital. Para o mutirão, serão destinados R$ 6 milhões que estão disponíveis desde o ano passado para a prefeitura - acusada pelo governo federal de não apresentar o projeto para uso desse dinheiro. - O programa de cirurgias eletivas existe em vários municípios do Brasil desde o ano passado. O Rio não aproveitou essa oportunidade - disse ontem o diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Arthur Chioro, informando que a verba se rá repassada para o Estado, responsável pela gestão atual do recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
A partir do edital, o ministério vai identificar qual a capacidade e interesse que os hospitais têm em realizar as cirurgias que se acumularam no município nos últimos meses.
- Com base na resposta dos hospitais, vamos checar a lista de espera, verificar se esses pacientes ainda precisam de cirurgia e se há nomes repetidos nos hospitais. A partir dessa depuração, identificaremos nossa capacidade e desenvolveremos o mutirão - antecipou o secretário de Atenção à Saúde do Ministério, Jorge Solla.
De acordo com Solla, os hospitais ficarão responsáveis, além das cirurgias, pelos procedimentos pré e pós-operatórios. Os pacientes, mesmo os que forem atendidos nos hospitais privados, não precisarão pagar consultas e exames antes e depois das cirurgias.
- Os hospitais que pertencem ou não ao SUS só poderão participar se atenderem com a capacidade que têm a mais. A proposta é que utilizem sua capacidade ociosa noturna ou de fins de semana, por exemplo. Não adianta fazermos as cirurgias e acabar prejudicando as outras que já estavam programadas - ressaltou Arthur Chioro.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informa que ''não teve como verificar as informações do Ministério da Saúde por conta do feriado''.
O Ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou ontem a retomada, na segunda-feira, do atendimento ambulatorial nos hospitais sob intervenção. Até então, o esforço da intervenção estava se concentrando no atendimento emergencial.
- Vamos otimizar os hospitais requisitados e os federais para ter aumento de 2.500 a três mil pacientes atendidos por dia e fazer face à demanda - antecipou Costa - Para isso, vamos ampliar o horário de funcionamento das unidades e contratar mais profissionais - resumiu Costa, acrescentando que o ministério ainda ajudará o estado na implantação da central de regulação de leito, que começa a funcionar em 15 dias.