Título: Superávit primário recua em fevereiro
Autor: Jiane Carvalho
Fonte: Jornal do Brasil, 25/03/2005, Economia & Negócios, p. A19
Queda foi provocada por aumento de gastos com previdência
O superávit primário do Governo Central, que compreende Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central, apresentou recuo de 68,3% em fevereiro, situando-se em R$ 2,643 bilhões, frente ao saldo positivo de R$ 8,344 bilhões de janeiro. O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, atribuiu a queda ao aumento dos gastos da Previdência no período.
- O resultado foi pressionado pela deterioração importante do déficit da Previdência, que refletiu o aumento do número de benefícios e aproximadamente R$ 1 bilhão em sentenças judiciais- disse Levy. Em fevereiro, o BC contribuiu com R$ 38,9 milhões para o resultado, o Tesouro com R$ 6,4 bilhões e a Previdência com um déficit de R$ 3,8 bi.
A participação dos títulos prefixados na Dívida Pública Mobiliária Federal interna aumentou em fevereiro, seguindo a estratégia do governo de reduzir os títulos pós-fixados e também a exposição ao câmbio.
No mês passado, foram emitidos R$ 7,8 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN), prefixadas, e resgatados R$ 4,1 bilhões de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), todas pós-fixadas. O valor da dívida interna líquida do Tesouro Nacional no mercado é de R$ 233,4 bilhões.
Hoje, os papéis corrigidos pela Selic correspondem a 58,9% da dívida mobiliária, um recuo de 1,22 ponto percentual sobre janeiro. A dívida cambial é de apenas 2,7% do total, tendo apresentado um recuo de 0,29 ponto percentual de janeiro para fevereiro. Segundo o secretário do Tesouro, o custo médio de carregamento da dívida apresentou ligeira piora, subindo para 16,5%.
- Isto ocorreu, sobretudo, por conta da apreciação do câmbio registrada em fevereiro- disse Levy. Em fevereiro, a dívida líquida total do Tesouro chegou a R$ 431,7 bilhões, equivalente a 24% do PIB acumulado nos últimos 12 meses.