Título: Governo muda o trato com família Garotinho
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/03/2005, País, p. A2

Numa tentativa de desobstrução dos canais de diálogo com a ala oposicionista do PMDB, de olho numa composição para as eleições de 2006, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, e os ministros da Fazenda, Antonio Palocci e da Coordenação Política, Aldo Rebelo, receberam ontem a governadora do Rio, Rosinha Matheus, depois de meses de acirramento de ânimos e troca de acusações mútuas entre o governo federal e o governo do estado do Rio. Dirceu abriu a reunião falando da necessidade do apoio do PMDB à governabilidade, como a projetos de interesse do país no Congresso. Hoje, o ex-governador e secretário de Governo, Anthony Garotinho, controla 27 dos 90 deputados da bancada. Depois do encontro, Rosinha afirmou estar disposta a colaborar com as questões de interesse nacional, mas sublinhou que não poderia deixar de levar em consideração as divergências de opiniões entre o governo federal e o Estado do Rio. Mesmo assim, louvou a tentativa de um diálogo, algo que ela vinha cobrando desde o início do seu governo.

- As questões institucionais devem se sobrepor à qualquer outra coisa.

A audiência com Rosinha se insere no contexto de uma série de encontros com representantes da ala oposicionista do PMDB. O governo quer unificar o PMDB de olho numa possível composição em 2006. O governo alimenta a expectativa de, num grande acordo com o partido, fazer com que Garotinho desista da candidatura à presidência em 2006. Em contrapartida, o ex-governador poderia se lançar a senador, por exemplo, com o apoio do PT caso aceite uma composição, sugeriu um ministro do governo. No início do ano, Garotinho acusou Dirceu de ''jogar contra'' o Estado do Rio.

Após a reunião com os ministros, que durou cerca de uma hora, Rosinha afirmou que o governo a interpretou mal quando ela se mostrou intransigente em relação a algumas reivindicações acerca da reforma tributária.

- Não somos contra o governo, mas temos de defender nossas posições e o Estado do Rio. O que estamos defendendo agora é a mesma coisa que defendíamos meses atrás. Nada mudou - disse Rosinha, que pediu o adiamento da vigência da reforma para 2007.