Título: Terri Schiavo está agonizando
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Fonte: Jornal do Brasil, 26/03/2005, Internacional, p. A9

Pais perdem última batalha na Justiça para religar a alimentação. Morte pode ocorrer em horas

PINELLAS PARK - O drama que comove os Estados Unidos se aproxima do final. Terri Schiavo, a americana que vive há 15 anos em estado vegetativo, e que se transformou no centro de uma batalha ética, política e judicial no país está agonizando. A informação foi dada à imprensa pelo pai dela. A família depositava as últimas esperanças de revogar a ordem de retirada do tubo que alimentava Terri numa corte de apelações que decidiria ontem - pela terceira vez esta semana - se intervém no caso. Mas a corte se manteve fora e o desespero tomou conta dos Schindler.

- Terri está morrendo, está em suas últimas horas, algo precisa ser feito e tem que ser rápido - disse, emocionado, em entrevista coletiva Bob Schindler, após visitar a filha ontem no hospital de Pinellas Park (Oeste da Flórida), onde ela se encontra internada. O tubo que levava alimentação direto ao estômago foi desligado há uma semana.

Logo cedo, Schindler ainda acreditava que a 11ª Corte de Apelações de Atlanta, onde a família apresentou mais um recurso, pedindo uma reconsideração da decisão emitida pela manhã pelo tribunal federal de Tampa, fosse capaz de frear o rumo dos acontecimentos. Porém, a corte se negou novamente a religar a alimentação de Terri - um desejo que, segundo o marido dela, Michael, a jovem havia manifestado expressamente antes de ficar em total estado vegetativo.

O último pedido se baseou em novos informes, entre eles um relatório de um neurologista, que afirmou que Terri poderia se encontrar em estado de ''mínima consciência'' e não ''vegetativo''. Segundo as leis da Flórida, uma pessoa com dano cerebral e que não tenha deixado instruções expressas sobre seu tratamento não pode ser desligada de um sistema que a mantenha viva a menos que se encontre vegetando. O relatório serviu de base para que o governador do estado, Jeb Bush (irmão do presidente) entrasse com uma ação na Justiça revindicando a guarda de Terri. O pedido foi rejeitado.

O caso, que era médico, tornou-se o epicentro de um intenso debate judicial, com a questão sendo discutida dentro de princípios de interferência em esferas federais e estaduais. Chegou até à Suprema Corte dos EUA, que na semana passada determinou que deveria ser analisado pelas Cortes federais regionais. Foi revisto três vezes em uma semana pela Corte de Apelações, que se negou a determinar o religamento, dando razão ao juiz do distrito de Tampa, James Whittemore. Na quinta-feira, o Supremo Tribunal americano havia negado pela quinta-vez a intervir no caso.

Os pais de Terri se recusam a deixá-la morrer, apesar do desejo do genro. A paciente está em seu oitavo dia sem alimento e, segundo especialistas, poderá morrer esta semana.

Bush saiu prejudicado ao intervir

WASHINGTON - A aprovação do presidente George Bush caiu em pesquisas nacionais realizadas nesta semana, sobretudo, entre homens e religiosos. As pesquisas foram divulgadas após o Congresso e o presidente intervirem no caso de Terri Schiavo, 41, que está há 15 anos em estado vegetativo persistente e é pivô de uma das recentes polêmicas no país. A lei sancionada por Bush deu às cortes federais autoridade para rever o caso da paciente.

A intervenção federal foi considerada impopular mesmo entre conservadores e religiosos. De acordo com pesquisa CNN-USA Today-Gallup, a popularidade de Bush caiu de 52% no fim de semana para 45% ontem. Uma pesquisa da CBS News do início da semana indicou queda de seis pontos percentuais: de 49% para 43%.

A pesquisa da CNN-USA Today-Gallup apontou que Bush perdeu apoio entre homens que se descrevem como conservadores e que freqüentam igrejas, enquanto que na pesquisa da CBS News o apoio de Bush caiu entre homens e republicanos. Quinta-feira, o Instituto Pew divulgou pesquisa em que afirma que o presidente alcançou popularidade de 45%, o menor índice desde sua reeleição, em 2 de novembro - Bush só chegou aos 50% de aprovação em janeiro - segundo o instituto.

A queda nas pesquisas também ocorre no momento em que Bush enfrenta impopularidade pela proposta de Reforma da Previdência.

A pesquisa Gallup ouviu 1.001 pessoas entre segunda-feira (21) e quarta-feira (23) e tem uma margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa da CBS ouviu 737 pessoas entre segunda-feira (21) e terça-feira (22) e tem uma margem de erro de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.