Título: Bush promete ajudar palestinos
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Fonte: Jornal do Brasil, 03/02/2005, Internacional, p. A8
Presidente inclui plano para o Oriente Médio como prioridade no discurso de prestação de contas do Estado da União
WASHINGTON - O presidente George Bush, no tradicional discurso de prestação de contas feito no Congresso, anunciou um pacote de ajuda ao novo governo da Autoridade Palestina que inclui uma verba de quase US$ 350 milhões. O dinheiro seria destinado principalmente para ações de desenvolvimento e segurança. A informação havia sido antecipada por uma fonte ligada à Casa Branca antes do discurso do Estado da União. Com o anúncio, segundo analistas, Bush pretendia manifestar seu apoio ao novo presidente eleito da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Os Estados Unidos planejam ajudar a ANP nos preparativos para a retirada israelense da Faixa de Gaza, prevista para acontecer até o fim do ano, e com isso, reforçar os esforços palestinos para interromper o ciclo de violência na região ocupada.
¿ O objetivo de dois Estados democráticos, Israel e Palestina, de viver em paz um ao lado do outro, está ao alcance das mãos e os Estados Unidos os ajudarão a alcançar esse objetivo, afirmou Bush.
A maior parte da verba será canalizada através de ONGs porque entre integrantes do governo ainda existe receio de que o dinheiro não chegue ao destino se for encaminhado diretamente às autoridades.
De resto, a fala de Bush, que durou cerca de 40 minutos, foi dedicada a assuntos internos, ainda que o Iraque fosse destaque, bem como a ameaça representada por países como a Coréia do Norte. Num texto revisado 17 vezes nos últimos dias, o presidente pediu aos americanos paciência e disse que o bom andamento das eleições de domingo passado no país árabe justificaram a invasão e ocupação. Porém, frustrando expectativas, não apresentou um cronograma de retirada das tropas (cerca de 150 mil soldados), insistindo na necessidade de permanecer até que o governo de Bagdá seja estável e possa garantir a própria segurança.
Bush enquadrou o pleito no movimento a favor da democracia no mundo (citando ainda as recentes eleições palestinas, na Ucrânia e no Afeganistão). Além disso, pediu mais ajuda internacional para consolidar a frágil democracia iraquiana e dar um novo impulso ao processo de paz no Oriente Médio.
O presidente mandou um recado direto à Síria e Irã, acusando-os de ligações com o terrorismo. Dirigindo-se aos ¿iranianos que buscam a liberdade¿, bradou:
¿ Os Estados Unidos estão com vocês.
Na política interna, Bush se concentrou em promover seu plano de privatização parcial da Previdência, uma de suas prioridades. A idéia é polêmica e recebeu oposição frontal dos democratas, além da reticência de boa parte dos legisladores republicanos moderados. Para Bush, a aposentadoria da geração do ¿baby boom¿ ¿ os nascidos após a II Guerra Mundial ¿ criará uma crise no sistema de pensões em poucas décadas.
Os críticos dizem que, apesar do empenho, nem Bush, nem seus assessores conseguiram explicar ainda como vão financiar essa reforma, que pode custar de US$ 1 trilhão a US$ 2 trilhões nos primeiros dez anos de sua implantação. Esse custo se somaria ao déficit recorde enfrentado pelo governo.
A Casa Branca reconheceu que no ano fiscal de 2005, que termina em 30 de setembro, pode haver outro déficit recorde de até US$ 427 bilhões, incluindo os US$ 80 bilhões extras para financiar ações militares no Iraque e no Afeganistão. Por isso, Bush defendeu a necessidade de cortes no orçamento para o ano fiscal de 2006, que será apresentado semana que vem.