Título: Oposição estuda aliança no Iraque
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 03/02/2005, Internacional, p. A8

Uma aliança de xiitas laicos, curdos e os poucos sunitas dispostos a participar das novas instituições começou a se delinear ontem no Iraque para evitar a hegemonia do xiismo confessional depois das eleições de domingo.

Segundo o jornal Al Hyatt, o contato entre os grupos começou diante da provável vitória da lista apoiada pelo aiatolá Ali Sistani, máxima autoridade religiosa xiita e cujos partidários já comemoram.

- Temos boas relações com o Partido da Unidade Iraquiana [do presidente interino, o sunita Ghazi Al-Yawar]e com o Acordo Nacional Iraquiano [do chefe do governo provisório, o xiita laico Iyad Allawi]. É verdade que não podemos descartar uma coalizão - reconheceu Deler Ali, um representante da lista unida curda, o terceiro pilar da aliança. - É necessário esse tipo de compromisso para que o poder seja equilibrado.

Deler confirmou que, segundo as previsões de seu partido, a vencedora do pleito será a lista apoiada por Al Sistani, seguida pelas três principais forças que poderiam integrar a coalizão: a lista curda, a de Al-Yawar e a de Allawi.

De acordo com o Al Hyatt, da possível coalizão também faria parte a Assembléia de Democratas Independentes, do sunita Adnan Pachachi.

A lista confessional de Sistani é próxima do governo islâmico do Irã, e o grande medo dos xiitas laicos e dos outros grupos étnicos e religiosos é de que sua hegemonia leve à instauração no Iraque de um sistema de caráter teocrático.

Na Jordânia, a porta-voz do governo, Asma Khader, revelou à BBC que não dispõe de informações oficiais que comprovem que o engenheiro brasileiro seqüestrado dia 19 no Iraque, João José de Vasconcellos Jr., esteja vivo.

Khader disse que o governo de Amã compartilha dessa esperança, mas apenas baseado no fato de que nada divulgado até agora insinua o contrário.

- Quando alguém é seqüestrado, presumimos que a pessoa esteja viva até que apareça algo oficial ou claro na mídia indicando o oposto.

O xeque Ali Abdouni, que faz parte do grupo que lidera os esforços pela libertação do engenheiro, mencionou terça-feira que informações obtidas por Amã davam conta de que o João estava vivo. Ontem, a Associação de Clérigos Muçulmanos do Iraque se comprometeu a divulgar nas mesquitas do país um pedido pela libertação do engenheiro.