Título: Novo alvo da polícia
Autor: Marco Antônio Martins
Fonte: Jornal do Brasil, 03/02/2005, Rio, p. A15

A repressão ao tráfico de ecstasy se tornou no ano passado uma das prioridades das polícias Civil e Federal. O número de apreensões cresceu. Em 2003 foram apreendidos 70 mil comprimidos. Em 2004, o número de apreensões chegou a 80 mil, de acordo com dados da Polícia Federal. Festas rave e boates da Zona Sul têm sido os principais alvos da venda da droga sintética. No ano passado, o promotor Márcio Mothé, responsável pelo setor de Justiça Terapêutica do Ministério Público (MP) estadual, descobriu que em algumas festas rave o preço do ingresso incluía a compra de um comprimido de ecstasy, que vale R$ 50 no mercado. Alguns ingressos eram vendidos a R$ 80.

Nos últimos anos, a droga virou mania nas noites da Europa. Cidades como Amsterdã, na Holanda, e Bruxelas, na Bélgica, viraram pontos de disseminação dos entorpecentes para todo o continente europeu, além da América do Sul e dos Estados Unidos. A mania foi adotada pelos jovens como uma forma de suportar as 24 horas de música eletrônica de forma ininterrupta.

O consumo de ecstasy foi difundido pelo Velho Continente neste início de século com a ajuda de cientistas do Leste Europeu, que montaram laboratórios fora de seus países. A produção em massa difundiu a droga, que vem, nos últimos dois anos, sendo produzida em laboratórios de fundo de quintal, ou seja, sem controle e trazendo riscos para o usuário.

Pesquisas da Organização das Nações Unidas (ONU) revelaram que a cocaína voltou a ser a droga preferida de muitos usuários, mas mesmo assim a repressão ao tráfico e ao uso das drogas mais novas e sintetizadas, como o ecstasy, se tornou prioridade para as polícias dos países europeus.