Título: Surfistas da Barra presos por tráfico
Autor: Marco Antônio Martins
Fonte: Jornal do Brasil, 03/02/2005, Rio, p. A15
Polícia encontra 400 comprimidos de ecstasy e 350 gramas de haxixe com três moradores do Barra Bali e do Parque das Rosas
Durante três meses, policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) se dedicaram a pegar onda e a filmar o dia-a-dia de jovens de classe média da Barra da Tijuca. Nada de férias ou lazer, mas um trabalho que revelou a participação do grupo em um esquema de tráfico internacional de drogas sintéticas. Ecstasy, haxixe e skank eram comercializados em casas noturnas e festas rave da região. Os produtos chegaram ao Porto do Rio em contêineres, dentro de carros de luxo embarcados em Barcelona, na Espanha. A Polícia Civil pedirá à Receita Federal informações sobre as guias de envio de carros da Espanha para o Rio. O delegado Rodrigo Oliveira, da DRE, quer saber se essa prática vem sendo realizada há mais tempo. O trabalho de investigação da DRE começou no ano passado e foi realizado durante a madrugada de ontem, como antecipou o colunista do Ricardo Boechat, do Jornal do Brasil.
Os veículos, um Audi A4 preto e um Passat Variant prata, foram encontrados, durante a manhã, na garagem do condomínio Barra Bali. No interior dos automóveis, atrás do banco do motorista, estavam 400 comprimidos de ecstasy e 350 gramas de haxixe. Cada comprimido de ecstasy é vendido na noite do Rio por R$ 50. Já o haxixe apreendido tem preço em torno de US$ 3,5 mil (R$ 9.100). Todo o material encontrado está avaliado em cerca de R$ 30 mil.
No Barra Bali mora Alcides Rodrigues de Lima Filho, 41 anos, que, segundo os policiais, seria o responsável por receber as drogas no Rio. O entorpecente veio de Barcelona, onde foi embarcado por um espanhol identificado como Albert Arias Giros. É ele quem assina as guias de envio dos automóveis para o Brasil. A documentação indica que os veículos deveriam ficar no país por 60 dias, enquanto o também espanhol Daniel Casado Fuentes estaria regularizando a sua situação.
Os policiais foram até o endereço fornecido por Fuentes, que seria na Estrada do Pontal, e lá encontraram apenas uma pousada. Ninguém, segundo os policiais, conhece o espanhol, que está sendo procurado.
- Não sabemos se ele existe. Estamos procurando - afirmou o delegado Rodrigo Oliveira, da DRE.
As drogas foram colocadas nos carros antes do embarque na Espanha. O haxixe teria vindo do Marrocos, na África, passando pela França a caminho de Barcelona. O ecstasy saiu da Holanda rumo à Espanha. Após chegar às mãos de Alcides, as drogas sintéticas eram passadas a Sasha Tadeu Lemos do Carmo, 25, morador do Parque das Rosas e apontado como o responsável pela distribuição do produto em festas rave. Os policiais investigam se Paulo Octávio Baiocchi Marques, 22, também participaria da distribuição do ecstasy. Ele foi detido por meio de um mandado de prisão do Juizado Especial Criminal, da Barra da Tijuca. Se forem condenados por tráfico de drogas, os presos podem pegar de três a 15 anos de prisão.
- O problema do ecstasy é que ele tem uma boa aceitação pelos jovens em festas e boates da Zona Sul da cidade. É uma situação muito complicada - avalia o delegado Álvaro Lins, Chefe de Polícia Civil.
A documentação apreendida pela polícia mostra que os veículos embarcaram no Porto de Barcelona, na Espanha, em novembro do ano passado. Em impostos, a quadrilja pagou cerca de R$ 16 mil para garantir a chegada dos veículos ao país.
- Parece não tão viável economicamente, mas é possível que houvesse quantidade maior de drogas - afirmou o delegado Oliveira.