Título: O choro dos que ganhariam com a medida
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 31/03/2005, País, p. A3
O embate entre o governo e os deputados federais em torno da correção da tabela do imposto de renda, prevista na Medida Provisória 232, atinge uma parcela significativa da classe trabalhadora, que hoje é isenta de declarar imposto de renda. Muitos deles, que hoje não são contribuintes obrigatórios, passarão a contribuir com 15% se a medida for derrubada no Congresso, No final de 2004, o governo aplicou um reajuste linear de 10% na tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física, elevando o limite de isenção para R$ 1.164 da renda mensal tributável. Se a correção da tabela cair, o limite de isenção volta a ser de R$ 1.058.
Para a gerente de loja Swian Martins, de 26 anos, que ganha R$ 1.100 por mês, a rejeição da medida é péssima.
- Sou contra. A medida vai me afetar diretamente, pois meu salário está nesta faixa.
Swian lembra, no entanto, as medidas já existentes para evitar a cobrança do imposto:
- O comércio quase não será afetado, já que o salário declarado é menor do que o recebido, pois ganha-se comissão.
Segundo a Receita, mesmo que a correção da tabela seja derrubada, o contribuinte pessoa física poderá voltar a pagar menos IR neste ano. Tudo depende de o governo de fato enviar um projeto de lei corrigindo a tabela. Caso ele demore a ser aprovado, não haveria perda para o contribuinte porque, de acordo com o governo, os efeitos seriam retroativos.