Título: Aliados tentaram convencer Lula a recuar
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Fonte: Jornal do Brasil, 31/03/2005, País, p. A3
No início do dia, houve uma tentativa de petistas para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a recuar. Queriam que o Planalto permitisse só a aprovação da correção da tabela, tirando uma bandeira da oposição. Lula disse que não sabia exatamente porque essa hipótese era rejeitada pela equipe econômica. Mandou telefonar ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, prestes a embarcar em viagem internacional. Palocci atrasou seu vôo e foi ao Planalto, onde se reuniu com Lula, Aldo Rebelo (ministro da Coordenação Política) e Arlindo Chinaglia (líder do governo na Câmara). O presidente perguntou a Palocci se era possível mais esse recuo. O ministro não gostou da alternativa, e o presidente desistiu da estratégia. A intenção do governo era elaborar as linhas gerais de um projeto alternativo à MP 232. O resultado, no entanto, não foi suficiente para convencer os deputados.
- O importante é haver um projeto que corrija a tabela do IR e tenha medidas para combater a elisão fiscal para os prestadores de serviço - disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). Não houve consenso sobre o texto do projeto.
A preocupação no encontro de uma hora e meia no gabinete de Chinaglia era encontrar uma forma de compensar a perda estimada em R$ 2,5 bilhões com a correção da tabela.
- Será um projeto de lei global, que atenderá aos requisitos da responsabilidade fiscal. Enquanto ele não ficar pronto, a votação da MP não ocorrerá - afirmou Chinaglia.
No entanto, o projeto, que tramitaria em regime de urgência e seria retroativo, seria composto pelas modificações negociadas pelo deputado Carlito Merss (PT-SC), relator da MP, e pela correção da tabela. Os deputados, pressionados por inédita mobilização social contra os impostos, querem mais: exigem que não haja nenhum tipo de aumento de carga tributária.