Título: Roriz acelera ofensiva nacional
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 05/04/2005, Brasília, p. D3
Aliados do governador defendem adoção de novas bandeiras e admitem até uma candidatura presidencial
O governador Joaquim Roriz e os deputados federais peemedebistas Michel Temer (SP) - presidente nacional da legenda - e Geddel Vieira Lima (BA) discutirão hoje, em almoço hoje na residência oficial de Águas Claras, a marcha que Roriz pretende fazer pelo País em nome da união do partido. A intenção do governador é começar ainda este mês uma série de visitas a lideranças peemedebistas, como o ex-governador e presidente regional do PMDB no Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, o governador do Paraná, Roberto Requião, e o presidente do partido em São paulo, Orestes Quércia. Com duas cadeiras no primeiro escalão do governo Lula - Ministérios das Comunicações e da Previdência Social - o PMDB atualmente está rachado em duas alas: uma que defende apoio ao Planalto e a outra na oposição.
Desde que começou a articulação para se tornar o interlocutor nacional da sigla, Roriz prefere não falar em posicionamentos. Diz apenas que o reagrupamento da legenda é uma discussão prioritária. No entanto, pessoas ligadas ao governador afirmam que ele defende uma postura de ''apoio independente'' a Lula, sem ocupação de cargos.
Além da pacificação interna, o comentário de bastidores é que Roriz esteja de olho uma projeção nacional. Em algumas ocasiões, amparado por manifestações populares em cidades que são bases eleitorais, Roriz demonstrou interesse em uma candidatura à presidência da República. Recém-absolvido de dois processos no Tribunal Superior Eleitoral, que questionavam a legalidade das eleições de 2002, e em impossibilitado de concorrer novamente ao GDF, este seria um bom momento de trabalhar seu nome como liderança nacional.
- Há um ano, por exemplo, não vislumbraríamos esta perspectiva. Mas ele sabe que uma atuação bem sucedida agora será reconhecida no País - avalia um aliado.
Na semana passada, Roriz fez duas visitas institucionais no Senado ao presidente da Casa, Renan Calheiros, e ao senador José Sarney. Além de expor o desejo de unir o partido, ele trabalhou nos encontros o nome do deputado Tadeu Filippelli, presidente regional do partido, para a liderança na Câmara dos Deputados. A ascensão do aliado de Roriz, que não esconde o interesse, fortaleceria internamente a regional.
Pré-candidato ao Buriti, Filippelli lembra que o PMDB marcha dividido desde as últimas eleições - ''reflexo da ausência de candidato à presidência'', acredita. O secretário da Agência de Infra-Estrutura e Desenvolvimento Urbano conta ainda que a necessidade de maior participação de governadores nas discussões internas do partido é consensual entre os deputados peemedebistas.
O líder do PMDB na Câmara Legislativa e um dos criadores da legenda no DF, deputado Odilon Aires, defende que o partido tenha candidato próprio em campo majoritário na capital da República, e neste contexto acha importante a participação de Roriz no partido em âmbito federal.
- Sempre tivemos bandeiras fortes e hoje o partido está sem condução, sem rumo. Além disso, não conseguimos nos desvincular da mácula de fisiologismo - afirma Odilon, acreditando ser ''legítima'' a busca de espaço no governo.
O peemedebista Pedro Passos, secretário de Agricultura, acredita que a empreitada pode ser uma bola na caçapa. Ele afirma que uma das maiores virtudes do chefe do Executivo local é a capacidade de articulação e aglutinação política.