Título: Encontrado carro usado na chacina
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 08/04/2005, Rio, p. A13

Proprietário diz que policial militar preso pegou o Gol prata emprestado na noite da matança na Baixada Fluminense

Apontado por testemunhas como o carro usado pelos autores da chacina da Baixada Fluminense, o Gol prata apreendido ontem de madrugada é considerado por policiais mais um indício de participação dos PMs suspeitos pelo crime. Segundo o dono do veículo, o carro foi emprestado ao policial militar Carlos Jorge Carvalho, reconhecido e preso sob acusação de ter sido um dos criminosos, na quinta-feira passada, cerca de duas horas antes do horário da matança em Queimados e em Nova Iguaçu. O carro estava com o lacre da placa violado e foi levado para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Foram encontrados no veículo três cartuchos de pistola calibre .40, só utilizado por policiais, um chip de rádio-transmissor e dois fragmentos de impressões digitais - um no espelho retrovisor esquerdo e um na placa.

O dono do Gol não teve a identidade revelada. Ele seria amigo do policial e costumava emprestar o veículo com freqüência. Em depoimento, o homem revelou que Carlos Jorge Carvalho pegou o carro às 19h de quinta-feira e prometeu devolver no dia seguinte, mas só entregou no domingo.

O chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, acredita que o fato de o lacre da placa (KND4208) do carro ter sido rompido indica que os criminosos a retiraram durante a execução. De acordo com o depoimento das testemunhas, o Gol prata estava sem placa durante a noite do crime.

- Já temos apreendidos um Vectra branco, usado depois da execução, para recolher os estojos das balas, um Audi preto, um Gol preto, um Gol branco, que estavam nas casas dos policiais presos, e agora este Gol prata, usado durante a execução.

À noite, peritos do ICCE usariam o produto Luminol para identificar possíveis vestígios de sangue no veículo. Os fragmentos de digitais encontrados foram enviados para o Instituto Félix Pacheco, onde serão comparados às digitais do proprietário do veículo e dos suspeitos presos. Segundo o diretor do instituto, Roger Ancillotti, até o fim de semana os resultados da perícia do carro e das balas das pistolas apreendidas estarão prontos.

- A perícia de balística está em andamento. Estamos colhendo os padrões das armas apreendidas, sete pistolas e um revólver, para comparar com os projéteis retirados nos cadáveres. Se for confirmado o mesmo padrão das armas, baseado no controle do próprio batalhão, poderemos saber de quem era a arma usada no dia do crime - informou.

Uma equipe técnica da Polícia Federal começou a periciar à tarde os outros três carros suspeitos de terem sido usados na chacina da Baixada. O Vectra branco placa LBY-4015; o Audi preto placa LCG-1516; e o Gol branco placa LQS-0490. Os três foram levados ao pátio da PF em Nova Iguaçu para serem examinados.

Integrantes da comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado esteviveram ontem no 15º BPM (Duque de Caxias) e no 24º BPM (Queimados) para acompanhar as investigações e se mostraram preocupados com o que consideram ''precipitação'' nas prisões de suspeitos.

Uma das falhas apontadas pela comissão foi a prisão do soldado Montesano, do 24º BPM. O policial relatou que estava no quartel de serviço no momento dos assassinatos. Segundo Montesano, sua prisão foi decretada por ele ter sido visto por testemunhas nos locais dos crimes.

- Fui ao local depois da ocorrência, porque recebi ordens para averiguar o fato. Mesmo estando aqui no batalhão, fui preso por um mandado onde constava o nome de Montesuma - disse.