Título: Captações e saldo comercial freiam dólar
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Fonte: Jornal do Brasil, 02/02/2005, Economia & Negócios, p. A19

- Novas captações de recursos no exterior, além do saldo positivo da balança comercial no primeiro mês do ano, não deram espaço para que o dólar subisse ontem e, apesar do ensaio para romper a barreira dos R$ 2,60, a moeda fechou o dia estável, vendida a R$ 2,61. Ontem foi a vez do Bradesco fechar uma operação de captação de US$ 100 milhões - o volume foi o dobro do previsto.

Na segunda-feira, o governo emitiu US$ 1,25 bilhão em títulos no mercado internacional, ante uma oferta inicial de US$ 1 bilhão. Com as captações de recursos fechadas nas últimas semanas, fica mais difícil de a tendência de queda do dólar ser interrompida.

O Bradesco, maior banco privado do país, fechou captação com vencimento em três anos, remunerados a 4,5% ao ano. O emissor foi o Bradesco Grand Cayman e os recursos serão internalizados e, segundo informou o banco, destinados a empréstimos a clientes corporativos. Os papéis foram comprados principalmente por investidores europeus e da América Latina.

O diretor executivo da área internacional do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria, atribui a forte demanda à escassez de papéis do banco no mercado.

- A última captação feita pelo Bradesco foi em agosto de 2004, quando conseguimos US$ 100 milhões - lembra Lembi. - Se as condições da economia para captações continuarem boas e a demanda por crédito aquecida, é possível que o banco faça novas emissões e até alcance o valor captado em 2003.

Em 2003, o banco captou US$ 2 bilhões no exterior.

O ano de 2005 começou as emissões, tanto pública quanto privadas, em ritmo acelerado. Além do Tesouro Nacional, que fez duas emissões, as empresas também se aproveitam do bom momento da economia. Só no mês passado lançaram captações os bancos Itaú (US$ 125 milhões), Votorantim (US$ 100 milhões), Cruzeiro do Sul (US$ 17 milhões) e BGN (US$ 30 milhões).

Na esteira deste movimento, o Unibanco também estuda captação no valor de US$ 100 milhões. Os bônus deverão ter vencimento de cinco anos, vinculados à taxa de inflação do Brasil (IGP-M).

Segundo Luiz Maurício Jardim, diretor da divisão de tesouraria do banco, Unibanco e o Citigroup administrarão a venda dos bônus. O executivo não informou quando será o lançamento.

Jiane Carvalho com agências