Título: Folia no Rio vira negócio bilionário
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 06/02/2005, Economia & Negócios, p. A19
Carnaval movimenta toda a economia fluminense, gerando 300 mil empregos e atraindo 540 mil visitantes
Muito mais que uma festa profana, o carnaval se consolida cada vez mais como o maior evento da economia do Rio. Embora encontre sua apoteose no verão, a folia vem em ritmo crescente de janeiro a janeiro e já movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano, de acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Microempresas (Sebrae). Só os 540 mil turistas que lotam a cidade nesta temporada injetarão no estado em torno de R$ 700 milhões, segundo estimativas da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico.
Na comissão de frente dos benefícios para a economia fluminense, está a geração de 300 mil empregos, sendo um terço deles apenas nos quatro dias de folia. Na Unidos da Tijuca, por exemplo, o início dos trabalhos para o desfile do ano seguinte conta com 50 pessoas. A partir de julho, novos integrantes vão sendo contratados até a escola de samba atingir o contingente máximo de 300 trabalhadores, em outubro. Nessa ocasião, a folha de pagamento passa de R$ 30 mil por quinzena, de acordo com Luís Carlos Bruno, diretor de carnaval.
- E esses números não incluem o contingente de terceirizados, nas atividades de costura, confecção e sapataria, por exemplo - ressalva.
A apuração dos resultados do carnaval na economia fluminense será alvo de um estudo a ser iniciado ainda este ano. O levantamento sobre a cadeia produtiva do evento vai identificar todas as atividades envolvidas nessa indústria, cujo calendário vai bem além da quarta-feira de cinzas. O projeto será conduzido pelo pesquisador Luiz Carlos Prestes Filho, com apoio da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico e da Universidade Cândido Mendes.
Para entender a influência da principal festa do calendário turístico do Rio, a pesquisa vai investigar fontes de informação sobre a economia do carnaval e processá-las em dados estatísticos. A idéia é debruçar-se sobre o trabalho dos barracões em todos os meses do ano, seus fornecedores e a mão-de-obra que a atividade emprega. Os segmentos mais solicitados do setor de serviços, como hotelaria e alimentação, também serão destrinchados.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Humberto Mota, a pesquisa vai fornecer elementos para avaliar melhor a importância do ciclo econômico que o evento gera.
- Considerando a importância cultural e econômica da indústria do carnaval, principalmente no Estado do Rio, decidimos medir com exatidão o volume de recursos desembolsados pelas empresas e os níveis salariais que ela oferece. Também queremos identificar tendências para podermos formular políticas setoriais para seu fortalecimento - assinala o secretário.
Outra vantagem apontada pela pesquisa é a possibilidade de oferecer às micro e pequenas empresas do estado a possibilidade de evoluir na indústria da folia.
O diretor de carnaval da Unidos da Tijuca confirma que, ao menos neste quesito, a indústria paulista supera a fluminense. Segundo ele, os fornecedores do Rio perdem pontos em qualificação de profissionais e na variedade e qualidade dos produtos oferecidos.
- O Rio não chega a fornecer 20% da matéria-prima que compramos para produzir nosso carnaval - atesta Bruno.
A pesquisa sobre a cadeia produtiva do carnaval do Rio deverá ficar pronta em seis meses. A expectativa é que, de posse dos resultados, a indústria de matérias-primas do estado entre no grupo especial dos segmentos beneficiados pela festa.