Título: Rio atrai mais executivos
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 08/03/2005, Economia & Negócios, p. A19
Foi-se o tempo em que o Rio de Janeiro era conhecido apenas por suas belas praias. Hoje, a cidade ostenta o posto de principal sede de congressos da América Latina. Na rota internacional do turismo de negócios e eventos, foram realizados 173 congressos só no ano passado, movimentando US$ 360 milhões, cerca de R$ 970 milhões, e atraindo mais de 400 mil executivos, 40% mais em relação ao ano anterior. Juntos, os números representam cerca de 70% do mercado nacional.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), que engloba ainda feiras e convenções, o faturamento do setor no Rio de Janeiro representa 30% dos R$ 10 bilhões registrados anualmente, perdendo apenas para São Paulo, que lidera o faturamento, com mais de R$ 3,5 bilhões por ano, puxado pela realização de feiras comerciais.
Se por um lado, o Rio atrai cada vez mais congressos e convenções, de outro, a realização de feiras segue caminho inverso. Grandes eventos como a Expo Abras, da Associação Brasileira de Supermercados, realizada há anos no Rio, será transferida para São Paulo. No entanto, os números da União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe) mostram estabilidade em decorrência do calendário das feiras, como as bienais, e de eventos rotativos - que mudam de cidade a cada ano.
Ao todo, o Rio recebe cerca de seis grandes feiras por ano. Em São Paulo, o número sobe para 110, concentrando, tradicionalmente, 70% das feiras comerciais do país.
- O Rio é referência em congressos e São Paulo, em feiras comerciais. Apesar da violência atrapalhar, os aspectos positivos do Rio, com sua beleza natural, acabam deixando os negócios do setor mais rentáveis para os organizadores. Além disso, a nossa rede hoteleira está preparada, com bons centros de convenções - justifica Paulo Senise, diretor executivo do Rio Convention & Visitors Bureau.
Otávio Leite, vice-prefeito do Rio, lembra a força desses eventos para a economia. O consumo médio de um turista de negócios é de US$ 170, enquanto o de um turista normal é de US$ 90. Por isso, Leite anunciou que o Rio será candidato a sede do 23º encontro da Abeoc em 2006, feira do próprio setor.