Título: Levy volta a defender aperto monetário
Autor: Daniele Carvalho
Fonte: Jornal do Brasil, 18/03/2005, Economia & Negócios, p. A19

Secretário elogia sugestões da indústria para corte de gastos

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, disse ontem no Rio que não está descartada a possibilidade de uma discussão em torno de um aumento do superávit primário. Ele fez questão de ressaltar, no entanto, que a meta não pode deixar de levar em conta elementos como a carga tributária e as despesas obrigatórias.

- Decisões mais ambiciosas sobre o aumento do superávit provavelmente envolverão decisões relativas ao gasto obrigatório e à carga tributária. Neste sentido, vemos como encorajadora a iniciativa da Fiesp de propor sugestões para o corte de gastos - acrescentou Levy, que participou no Rio de um evento sobre a dívida pública na América Latina e no Caribe.

O secretário defendeu a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros, Selic, para 19,25% ao ano. Para ele, apesar de o reajuste ter provocado uma elevação de R$ 2,39 bilhões na dívida pública, de acordo com cálculos do Tesouro, a decisão da autarquia foi acertada.

- O Banco Central não quer reprimir o consumo. O que ele quer é compatibilizar a taxa de crescimento da oferta com a da demanda - justificou.

Na avaliação de Levy, o grande desafio agora é aumentar a oferta, mas de maneira que esta não seja expandida artificialmente.

Ele ressaltou que o governo precisa reduzir ''riscos gerais'', que influenciam diretamente na decisão de novos investimentos e, conseqüentemente, na oferta. Entre estes riscos, Levy citou os fiscais, que podem ser de natureza discricionária, de âmbito legislativo ou de passivos antigos, como ações judiciais que se arrastam por anos.

- Como exemplo dessa ''materialização de esqueletos'', no ano passado, uma série de decisões de um dos poderes fez com que a conta da Previdência tivesse acréscimo de R$ 3 bilhões - ressaltou.

Durante o evento, o vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Dennis Flannery, elogiou a gestão da dívida pública brasileira. Para ele, a administração do governo deveria servir de exemplo para os demais países da região. Ele citou como pontos positivos o fato de as dívidas pública e externa serem administradas de maneira centralizada pelo governo.

- O governo brasileiro conseguiu diminuir o custo de manutenção da dívida, tendo feito um bom trabalho - comentou.