Correio Braziliense, n. 21367, 15/09/2021. Política, p. 2
Negócio com precatórios
O empresário Marcos Tolentino admitiu, em seu depoimento na CPI da Covid, que tem como ativos precatórios judiciais da União. O depoimento chamou a atenção em função de o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), defender desde setembro do ano passado o parcelamento dessas dívidas para abrir espaço a um programa social do governo — o chamado Auxílio Brasil, que ainda não saiu do papel.
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) apontou uma relação suspeita no negócio: parcelar precatórios faz com que escritórios de advocacia, como o de Tolentino, paguem valores menores à vista para os beneficiados e fiquem com o direito de receber as dívidas da União em quantias maiores no futuro.
“É um interesse que, me parece, nesse caso conjugam”, disse o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ao falar sobre o interesse de Tolentino nos precatórios e atuação do líder do governo na Câmara.
A CPI avalia encaminhar o indiciamento de Barros ao Ministério Público Federal. O deputado nega ter atuado em contratos suspeitos no Ministério da Saúde e agido para facilitar a compra da Covaxin, investigada pela comissão.
Outra ponta que a CPI conseguiu ligar foi o relacionamento entre Tolentino e Karina Kufa, advogada do presidente Jair Bolsonaro — que depõe à comissão amanhã. Segundo o empresário, ela o defendeu em um processo eleitoral e cujo endereço fornecido nessa ação fica numa casa modesta em Macapá, conforme mostrou Randolfe.
“Envolvido em pelo menos três operações da polícia federal, CPFs cancelados e falsidade ideológica. É o dono do FIB Bank, era essa instituição que iria garantir o contrato (da Covaxin)”, detalhou Randolfe. (TA)
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