Correio Braziliense, n. 21370, 18/09/2021. Política , p. 5
Presidente, agora, diz que cargo vale a pena
Apesar de já ter afirmado que ser presidente da República é "um inferno" e de "não fazer questão" de ser candidato à reeleição em 2022, Jair Bolsonaro voltou a repetir, ontem, em Arinos (MG), que só Deus o tira da chefia do Poder Executivo, embora tenha lamentado, nas palavras dele, pelo que sua família e amigos sofrem com seu cargo. Mas se desdisse em relação a ocupar o posto.
"Apesar das dificuldades, dos ataques, das calúnias, difamações, entre outras barbaridades, vale a pena ser presidente da República. Porque uma das coisas que mais me conforta é saber que naquela minha cadeira em Brasília não está sentado um comunista. Vamos vencer essa batalha; vamos, aos poucos, mudando o destino do Brasil. Tudo pode ser renovado, como se renova o Executivo, o Legislativo, e também o Judiciário", disse.
Desprezando as suspeitas de irregularidades em contatos para a compra de vacinas, expostas pela CPI da Covid, Bolsonaro também repetiu no evento que o Brasil está completando "2 anos e 8 meses sem uma denúncia sequer de corrupção". "Vou fazer o discurso de abertura. Um discurso tranquilo, bastante objetivo, focando os pontos que interessam para nós. É um palanque muito bom para isso também, serve como palanque aquilo lá. Vamos mostrar objetivamente o que é o Brasil, o que estamos fazendo na questão da pandemia, coisa que somos atacados o tempo todo né, bem como o agronegócio, a energia no Brasil", explicou.
A comitiva brasileira que segue para Nova York, onde participará da assembleia das Nações Unidas, escapou de um constrangimento devido ao fato de Bolsonaro não ter se vacinado contra a covid-19. No meio da semana, as delegações estrangeiras que participarão da reunião receberam a orientação de que todos os participantes precisarão apresentar o comprovante de imunização. Porém, soube-se depois de que a exigência não se aplica a chefes de Estado — que deverão apresentar um teste PCR negativo em vez do passaporte de vacinação. Bolsonaro tem repetido que será o último brasileiro a tomar suas doses.
Mas, caso queira circular pela cidade, o presidente pode ter problemas, pois, desde o começo da semana, a prefeitura de Nova York passou a fiscalizar a regra que exige comprovante de vacinação para entrar em áreas fechadas, como bares e restaurantes, por exemplo. Sem o passaporte, só é possível realizar refeições na área externa.
A comitiva rumo a Nova York será composta de 18 pessoas, incluindo a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e vários ministros.