Título: Governo mantém apoio a Jucá
Autor: Daniel Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 14/04/2005, País, p. A3
BRASÍLIA - A série de denúncias contra o ministro da Previdência, Romero Jucá (PMDB-RR), ainda não foi capaz de demover representantes da cúpula do governo do propósito de mantê-lo no cargo. De acordo com um interlocutor do Planalto, não há prova, até o momento, de que Jucá participou de operações irregulares envolvendo recursos públicos. Pesariam sobre o ministro apenas denúncias, que são comuns na vida dos parlamentares. Pesquisa do site Congresso em Foco, por exemplo, diz que um em cada seis congressistas, ou 99 dos 594 parlamentares, responde a investigações no Supremo. A maior parte por crime contra a administração pública e infrações eleitorais. A análise do interlocutor do Planalto está amparada nos últimos fatos.
Segunda-feira, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu Jucá, publicamente, das acusações. Desde então, não teria ocorrido fato novo que comprovasse irregularidades.
- Não há condenação e, até que se prove o contrário todos são inocentes - afirmou Dirceu.
Análise semelhante é ouvida de líderes das bancadas aliadas. Ontem, um deles retomou o discurso de que as acusações têm diferentes motivações políticos. Visariam a desestabilizar a relação entre o PT e o PMDB e desabonar o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, possível candidato ao governo do Estado de São Paulo. E, até mesmo, desacreditar Jucá, que assumiu a nova função prometendo combater a corrupção.
- Vamos com Jucá até o fim - prometeu um senador ligado ao governo que, curiosamente, pediu para não ser identificado.
Ontem, Jucá saiu a campo. Distribuiu aos parlamentares um resumo das denúncias e uma defesa contra elas. Em duas páginas, listou quatro acusações. O ministro afirma que a apresentação de sete fazendas inexistentes como garantia para empréstimo do Basa à Frangonorte é de responsabilidade do empresário Luiz Carlos Fernandes de Oliveira, que o substituiu como sócio na empresa.