Título: Preço de commodities segue em alta
Autor: Claudia Carpenter
Fonte: Jornal do Brasil, 03/04/2005, Economia & Negócios, p. A18

Aceleração das economias da China e dos EUA mantém procura por matéria-prima e surpreende analistas

Os preços das commodities registraram, nos três primeiros meses deste ano, a segunda maior alta trimestral desde 1988. A cotação do petróleo alcançou o recorde de US$ 57,7 o barril, o cobre atingiu sua maior alta dos últimos 16 anos e o café, a soja e o algodão subiram 15%.

O crescimento da demanda por matérias-primas por parte da China e a aceleração do crescimento econômico dos Estados Unidos ajudaram o Índice Reuters-CRB, composto por 17 commodities, a subir 10,5%, a maior alta desde os 11,2% atingidos no primeiro trimestre de 2004. O índice alcançou seu maior pico dos últimos 24 anos em março passado e pode bater novo recorde.

O Índice Dow Jones-AIG, de 19 contratos futuros de commodities, subiu 12% no primeiro trimestre deste ano, sua maior alta desde o quarto trimestre de 2003. O Índice Goldman, de 24 matérias-primas no setor de energia, teve alta de 22%, o melhor desempenho desde 1990.

Em 2004, a economia chinesa cresceu 9,5%, seu ritmo mais acelerado dos últimos oito anos, impulsionando a demanda por matérias-primas como cobre, aço e alumínio para a construção de imóveis e rodovias e para a produção de mais linhas de transmissão de energia elétrica, automóveis e eletrodomésticos.

A economia dos Estados Unidos cresceu 4,4% no ano passado, maior percentual desde 1999.

De acordo com o diretor-executivo da Brownstone Advisors LLC de Nova York, Stuart Flerlage, o aumento do crédito na China pode acelerar a demanda por cobre, petróleo, minério de ferro, carvão, soda cáustica e outras commodities industriais.

- A época do barril de petróleo a US$ 30 veio e foi embora.

Sexta-feira, o CRB subiu para 313,57 pontos, comparativamente ao recorde de 337,6 de novembro de 1980. A disparada dos preços das commodities elevou os preços do varejo. Os preços ao consumidor subiram 3,3% em 2004, sua maior alta dos últimos quatro anos, e os economistas prevêem que eles registrarão elevação de 1,8% a 3,9% este ano, com base em 63 estimativas reunidas pela Bloomberg.