Título: Romero Jucá não quer ''bater boca''
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 08/04/2005, País, p. A3

Ministro da Previdência rebate cobrança de João Paulo sobre supostas irregularidades em empresa da qual foi sócio

Folhapress

BRASÍLIA - Um dia depois de o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) ter cobrado explicações do ministro da Previdência, Romero Jucá, sobre as denúncias de irregularidades em empresa da qual foi sócio, o peemedebista disse não estar disposto a ''bater boca com ninguém''. Segundo ele, os parlamentares que não se convenceram com seus esclarecimentos sobre supostas irregularidades, simplesmente resolveram ignorar as explicações. Ontem, João Paulo voltou a mostrar desconforto com a situação. - A explicação que acho importante de ser analisada é a que será dada ao Ministério Público e à Polícia Federal - disse Jucá.

Ele esperava ontem documentos chegarem de seu Estado (RR) para enviá-los ao Ministério Público, até o dia 18, fim do prazo dado pelo procurador-geral, Claudio Fonteles.

- Estou preocupado em trabalhar na Previdência. Não estou preocupado em bater boca. Os esclarecimentos já dei e serão dados, - disse o ministro.

Jucá acrescentou que não comentaria ''declarações partidárias'', referindo-se às palavras de João Paulo, pois isso seria tarefa de seu partido, o PMDB.

João Paulo Cunha intensificou ontem suas críticas à situação do ministro da Previdência, Romero Jucá, dando a entender que o governo não teve cautela ao nomeá-lo, cedendo a interesses de parte do PMDB.

- No mínimo, poderia ter havido um cuidado maior na apreciação dos documentos apresentados - disse o petista, que é também pré-candidato ao governo de São Paulo no ano que vem.

Ele se refere ao fato de que Jucá informou o governo federal a respeito das investigações que vêm sendo feitas de empréstimos seus no Basa (Banco da Amazônia).

João Paulo afirmou que o ministro está com a autoridade moral e política, necessária para administrar a pasta, arranhada com as suspeitas que pairam sobre ele.

- A Previdência é um ministério vital do ponto de vista econômico e do ponto de vista humanitário. Lida com questões que têm impacto nas contas públicas, como a questão do déficit, e também distribui benefícios, lida com pessoas -, afirmou o deputado.

Por isso, segundo seu raciocínio, o titular da pasta precisa estar acima de qualquer suspeita.

- O ministro da Previdência tem de ter autoridade política e moral para fazer reformas, cobrar sonegadores, por exemplo. Neste momento, a autoridade do ministro está sofrendo, sem dúvida.

João Paulo cobra uma resposta ''imediata e peremptória'' de Jucá para estancar a perda de credibilidade.

- A pasta da Previdência está sofrendo as conseqüências -, disse.

Mas ele não chega a sugerir seu afastamento.

-O importante é ele responder o quanto antes.

Cobrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sair em defesa de Jucá, o PMDB voltou ontem a defender o ministro. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), líder da bancada, continuou argumentando em favor de Jucá.

Segundo ele, o ministro tem o apoio do presidente Lula e é um político com ''couro'', que não se deixa atrapalhar por denúncias.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), avalista da indicação de Jucá, disse, na quarta-feira, que não aceitará ''fogo amigo'' do PT. Renan se irritou com as declarações de João Paulo e buscou explicações com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo.