O Globo, n.31.624, 07/03/2020. Mundo. p.38

Brasil estuda pedir ajuda a outros países na Venezuela
Elaine Oliveira 


Após determinar o retorno de todos os funcionários que trabalham na embaixada e nos consulados do Brasil na Venezuela, o governo estuda alternativas para atender aos cerca de 15 mil brasileiros que residem naquele país. Uma das possibilidades em estudo seria pedir para outra nação representar os interesses brasileiros em Caracas. Assim, os serviços seriam prestados em uma determinada missão diplomática estrangeira até que os postos sejam reabertos em um futuro ainda incerto.

Esse é o caso, por exemplo , de americanos no Irã. Como os EUA não têm relações com o país persa, seus interesses em Teerã são representados pela Suíça desde 1980.

PERSONA NON GRATA

Brasil e Venezuela, no entanto, não romperam relações. Mas, na última quintafeira, duas portarias foram publicadas no Diário Oficial da União determinando o regresso dos funcionários brasileiros, o que deve acontecer dentro de 60 dias. O prazo é o mesmo para que venezuelanos ligados ao presidente Nicolás Maduro que trabalham na embaixada em Brasília deixem o país. Quem permanecer será considerado persona non grata e expulso. Esse movimento sincronizado de brasileiros voltando para o Brasil e venezuelanos retornando à Venezuela foi decidido dias atrás e reforça a posição brasileira de não reconhecimento do chavista Maduro como presidente daquele país. O governo de Jair Bolsonaro reconhece o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino. Emjaneirode 2019, quando era líder da oposição e estava à frente da Assembleia Nacional da Venezuela, Guaidó se tornou presidente interino com o apoio de Brasil, EUA e cerca de outros 50 países. Bolsonaro chegou a prometer que seu governo apoiaria política e economicamente o processo de transição da Venezuela de volta à democracia. Maduro conta com o reconhecimento de atores importantes no cenário internacional, como Rússia e China. Hoje, para o governo brasileiro, a Venezuela tem como embaixadora María Tereza Belandria. Diplomata, advogada e doutora em Ciência Política, ela foi nomeada por Guaidó, com a aprovação do Brasil, em meados do ano passado.