Correio Braziliense, n. 21379A, 28/09/2021. Política, p. 2
Defesa da atuação de Guedes
O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o ministro da Economia, Paulo Guedes, e comentar a entrevista que concedeu à revista Veja, na semana passada. Em evento relativo aos 1.000 dias de governo, ontem, ele afirmou que se fosse trocar o comandante da Economia, seria por alguém com política diferente da dele.
"A revista perguntou para mim se eu trocaria o Paulo Guedes. Ah!, trocar o Paulo Guedes, se for para trocar, tem que trocar por alguém com política diferente da dele. Se não, é trocar seis por meia dúzia. Se não tivesse alguém com a garra dele, será que teria caído apenas, o que é bastante, 4%?", questionou o presidente, citando o encolhimento da economia brasileira em 2020, primeiro ano da pandemia.
Bolsonaro ainda citou o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que disse que o desempenho econômico do Brasil tem sido melhor que o esperado. "Qual economista queria estar no lugar dele, com aquela pandemia, tendo que fazer coisas completamente diferentes daquilo que ele se preparou ao longo de toda a sua vida?", questionou.
A recíproca dos elogios de Bolsonaro a Guedes foi verdadeira, pois o ministro, apesar de ter reconhecido que o comportamento do presidente até o 7 de Setembro causou turbulências, enfatizou o caráter democrata do chefe do Executivo. Foi no 4º Encontro "O Brasil Quer Mais", promovido pela International Chamber of Commerce (ICC), no painel "Por que ainda não abrimos".
"O presidente sempre joga dentro das quatro linhas. Há um script escrito para colocá-lo no papel de golpista. Ele é um democrata. É um produto da democracia. Quem ficou no poder 30 anos não pode descredenciar a democracia porque ela resolveu mudar de rumo", afirmou.
Guedes aproveitou para fazer um desabafo contra as críticas de que governo não tenha um plano econômico capaz de virar o jogo da crise econômica. "Tenho vontade, às vezes, de devolver tudo, mas tenho tentado melhorar como pessoa", disse, acrescentando ter consciência de que alguém na sua posição precisa tomar muito cuidado com as palavras que profere.