Título: Microcrédito terá limite maior
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 09/04/2005, Economia & Negócios, p. A17
BNDES ampliará atuação no segmento
Apontado por economistas como maior entrave à queda da inflação, o crédito será expandido por obra do próprio governo. Está em estudo a ampliação de R$ 1 mil para R$ 5 mil no limite do microcrédito orientado. Para isso, o governo aguarda votação da resolução 226/2004 no Congresso Nacional, que segundo o diretor de Normas do Banco Central (BC), Sérgio Darcy, vai permitir a expansão. O microcrédito é direcionado a pessoas físicas com taxas bem abaixo do mercado, de 4% ao ano. Na mesma resolução, ''o governo pretende fazer um link'' entre o programa de microcrédito e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Darcy explica que a instituição terá maior participação no programa.
- O BNDES atua nesta linha, mas agora terá critérios estabelecidos para operá-la - disse o diretor do BC.
O BNDES responde por metade de todo o crédito orientado do país, segundo os desembolsos de fevereiro, quando a instituição emprestou R$ 6,2 bilhões. Depois do banco de fomento, o crédito rural vem em seguida com 28% do total de crédito orientado. Já o habitacional segue com 13% e o leasing, com 7%. Outros não especificados respondem por 2% do total.
Microcrédito cinco vezes maior, mais flexibilidade na movimentação em conta de trabalhadores informais, crescimento de 65% do crédito com desconto em folha de pagamento e ampliação das linhas de financiamento do BNDES. O mesmo governo que aumenta a Selic, sem trégua, está fomentando o crédito pelas beiradas, em iniciativas que, se não anulam a política monetária, pelo menos atrapalham, na avaliação de especialistas.
- Mas o objetivo do Banco Central não é fomentar o crédito. Estamos, sim, seguindo determinações - afirmou Darcy, referindo-se às orientações de outras alas do governo que não o Comitê de Política Monetária (Copom). Funcionário de carreira da autarquia, Darcy sentiu mudanças nas orientações desde que o governo petista entrou no poder.
- O governo Lula tem estimulado o crédito nesse sentido - disse Darcy, ao responder se o governo estaria dando mais atenção aos trabalhadores informais, que somam mais da metade da força de trabalho. O BC não só está atento para este filão do crédito - pessoas que precisam de capital de giro para manter seu próprio negócio - como também tem planos para essa área.
As contas simplificadas, que permitiram a entrada da baixa renda no mundo bancário, já somam 4,6 milhões em menos de um ano. Para esse público, o BC estuda ampliar o limite de movimentação, para apoiar, por exemplo, vendedores ambulantes. O crédito consignado (com desconto pelos bancos na hora do pagamento) disparou 65% em 2004, alheio à taxa Selic atual.