Título: Escutas detonaram má sorte de Dantas
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 12/04/2005, Economia & Negócios, p. A17

Daniel Dantas começou a ser investigado pela Polícia Federal no ano passado, depois da descoberta de que o banqueiro e a presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco, teriam contratado a Kroll Associates para espionar desafetos na disputa pelo controle da Brasil Telecom contra a Telecom Italia. A investigação culminou na apreensão de documentos no escritório do Opportunity, no Rio, e no apartamento de Dantas, na Avenida Vieira Souto, em outubro do ano passado.

Além de empresários italianos, a Kroll teria violado também o sigilo de integrantes do governo petista, como do então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, e do ministro-chefe da Secretaria de de Comunicação de Governo e Gestão, Luiz Gushiken.

Em duas ocasiões, a PF pediu e a Justiça negou a prisão de Dantas e Cicco. No último pedido, apresentado no final de março, a PF argumentou que por várias ocasiões tentara, sem sucesso, intimar Dantas e Cicco para depor. Segundo os advogados, eles estavam em viagem internacional de negócios, entre Londres e Nova York. Eles se encontravam no exterior devido ao processo que o Citibank move contra o Opportunity.

Este ano, o Citi destituiu Dantas do comando do fundo CVC internacional - que controla o Metrô Rio, Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom - e ainda reivindica uma indenização pelos danos causados devido a susposta chantagem do banqueiro e por ter colocado em risco os negócios entre o banco americano e demais os sócios brasileiros nas empresas privatizadas.

Ao negar a prisão pedida pela PF, o juiz da 5ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, Luiz Renato Pacheco, determinou que Dantas e Cicco informassem quando estariam disponíveis para receber a intimação policial, do que surgiu a agenda de depoimentos desta semana.