Título: 'Fogo amigo está mais amigo', diz Palocci
Autor: Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 10/04/2005, País, p. A4
No campo econômico, os sinais emitidos ontem pela maioria do partido indicam uma moderação no discurso. Em vez da mudança apregoada no passado, houve mais enfoque nos ganhos obtidos na área. O apoio ao trabalho do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, apareceu em todos os discursos dos interlocutores que estiveram ontem no Rio, inclusive do chefe da Casa Civil, José Dirceu, ferrenho crítico da política de juros altos. - A economia vai além de simplesmente subir e baixar os juros - disse Dirceu, logo após anunciar que o governo trabalha com uma estimativa de crescimento de 5% este ano. - Já temos 21,5% (parcela do PIB) de investimentos e saímos de 17%. Aumentando o investimento, a economia cresce. Problemas não faltam, mas é preciso definir prioridades.
O próprio Palocci admite sentir a diferença:
- Ultimamente, o fogo amigo está mais amigo do que fogo - brincou.
Não é para menos. Também o presidente do PT, José Genoino, saiu em defesa da gestão da economia.
- Vamos mostrar para a nossa base social que a política econômica não é ortodoxa, nem neoliberal - atestou. Como argumento, ele citou os investimentos previstos pela Petrobras, a expansão do programa de microcrédito e a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em extenso documento apresentado ontem, ainda preliminar, só aparecem críticas à alta da taxa de juros - atualmente em 19,25% ao ano - e enfatiza atenção adicional aos gastos do governo.
''A redução do endividamento público - assim como a redução da taxa de juros - é essencial, porém é um processo a ser pacientemente construído'', diz o documento. As críticas, no entanto, foram minimizadas por Palocci.
- É um esforço que o governo tem realizado, de redução da inflação e, com isso, da taxa de juros - disse.
O ministro da Fazenda defendeu ainda o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, investigado pelo Ministério Público Federal por crimes contra o sistema financeiro.
- As questões não são novas e o presidente do banco central não deixou de explicitar todas as explicações necessárias - avaliou. - Eu confio muito no caráter, nos procedimentos e na conduta do presidente do Banco Central. Assim, como confio no Supremo, que saberá lidar com a serenidade e equilíbrio que uma área como essa requer.