Título: Governistas afinam discurso
Autor: Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 10/04/2005, País, p. A4
Em encontro no Rio, líderes do Campo Majoritário defendem política econômica
O primeiro encontro nacional do Campo Majoritário do Partido dos Trabalhadores, grupo que reúne 60% dos correligionários da base de sustentação do governo, serviu para que os líderes petistas desenvolvessem um discurso uníssono. A mobilização foi tão grande que até mesmo o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, crítico da política econômica do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, saiu em defesa do correligionário.
- A política econômica possibilitou que o país voltasse a crescer, retomasse credibilidade externa, controlasse a inflação e criasse empregos. Não vejo por que ela teria incompatibilidade com os preceitos do PT. Há restrições, sim, mas temos uma dívida interna e externa que deve ser administrada. O país tinha inflação e risco altos e as políticas adotadas foram para estabilizar e retomar o crescimento. Acredito que conseguimos - afirmou.
O presidente do partido, José Genoino, defendeu a unidade partidária, garantindo que dentro do PT é permitida a oposição de idéias. Segundo ele, só não é permitido votar contra o partido no Congresso.
- O debate é livre, a crítica é salutar, mas não pode deixar de ter unidade de ação, senão viramos um amontoado disforme - defendeu.
De agora em diante, o PT busca alianças que o permita ter maioria no Congresso, onde tem enfrentado problemas desde a perda da presidência da Câmara, em fevereiro. Por trás do apoio da governabilidade, está a necessidade de se pavimentar a vitória de Lula em 2006. Segundo Genoino, é hora de ''paquerar'' e ''ficar'' para o casamento só se consolidar no ano que vem.
Segundo Dirceu, o PMDB segue como o ''aliado estratégico'' do PT para garantir a governabilidade, mas a presença do PTB, PL, e dos parceiros históricos PCdoB e PSB é fundamental.
- Eles formam um arco de alianças consistente para garantir a governabilidade e construir a reeleição do presidente Lula - explicou.
No encontro, o chefe da Casa Civil defendeu o ministro da Previdência, Romero Jucá (PMDB), no dia em que apareceram mais denúncia, dessa vez contra a administração de sua mulher, Teresa Jucá, na Prefeitura de Boavista (RR).
- O ministro Romero Jucá está prestando contas ao Ministério Público e à sociedade. Ele tem a confiança do presidente Lula e apresentou ao governo, antes de ser nomeado, a existência dessas questões. O governo não pode demitir um ministro ou o presidente do BC a partir de uma denúncia. Se o ministro quiser se afastar é outra questão - referindo-se também sobre às investigações contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Amanhã, o grupo de 230 petistas volta a se reunir no Hotel Novo Mundo, no Rio, para definir o apoio á reeleição de Genoino na presidência do PT.